Na Mira do Regis

Resgatando velhos papos: “para começar a gostar do VERDADEIRO funk” – parte 2

Como eu escrevi aqui dias atrás, estou recuperando alguns textos que escrevi para o Yahoo! logo quando comecei a trabalhar aqui e que se perderam por conta de uma série de mudanças de plataformas na internet. Atendendo a um sem número de pedidos, resolvi começar por uma das matérias mais requisitadas, cujo título você lê acima.

A "parte 1" você pode ler aqui. Obviamente, hoje publico aqui a segunda parte, que traz mais alguns nomes fundamentais para você começar a gostar do "VERDADEIRO funk". Recapitulando o esquema: selecionei alguns discos e coloquei pequenos textos explicativos e vídeos que ilustram o som que você vai encontrar em cada um deles. E não se esqueça que estes não são necessariamente os "melhores discos de todos os tempos" e sim aqueles que vão facilitar a paixão para quem é 'novato'.

EARTH, WIND & FIRE
Open Our Eyes
Logo no começo, antes mesmo de gravar seu primeiro LP em 1969, o grupo também flertava com uma forte veia jazzística, mas logo sacou que aquilo que faziam melhor eram cacetadas funky da melhor qualidade.

Com arranjos elaborados e canções fascinantes em termos rítmicos — vide "Mighty Mighty" -, a banda liderada por Maurice White alternava momentos sacolejantes com belas baladas, mas era inegável que o suingue do grupo transcendia qualquer tipo de julgamento sob o ponto de vista comercial.

KOOL & THE GANG
Wild and Peaceful
Eles começaram como um grupo de jazz na segunda metade dos anos 60, mas na virada da década seguinte descambaram para o mais puro funk, descabeladamente dançante. As linhas de baixo de Robert "Kool" Bell traduziam em notas toda a sacanagem que poderia haver em uma dança de salão.

Se você conseguir ouvir faixas como "Funky Stuff" e "Jungle Boogie" sem sentir um comichão nas pernas e nos pés, pode procurar um legista para que ele assine o seu atestado de óbito. Você morreu e ainda não sabe...

SLY AND THE FAMILY STONE
Fresh
Assim como o Funkadelic citado na "parte 1", aqui também havia outro líder malucaço — no caso, Sly Stone -, que capitaneava a celebração de um discurso libertário nas letras por meio de uma maravilhosa união sonora entre a doçura do soul com a urgência do funk.

Apesar de ter lançado discos maravilhosos — como There's a Riot Goin' On, Stand e Life -, foi neste álbum que o funk reinou soberano, mesmo com grooves mais lentos, mas que eram um convite irresistível a balançarmos o esqueleto.

A grande sacada aqui foi o uso de harmonias e melodias quase inusitadas, muito distantes daquilo que tocava nas rádios na época - o maior exemplo disso está na ótima "If You Want Me to Stay", regravada décadas depois pelo Red Hot Chili Peppers no álbum Freaky Styley, não por acaso produzido por... George Clinton!

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Sobre Regis Tadeu

Regis Tadeu é crítico musical, jurado do Programa Raul Gil, colunista/produtor/apresentador do portal do Yahoo, produtor/apresentador dos programas Rock Brazuca e Agente 93 na Rádio USP FM e foi Diretor de Redação/Editor das revistas Cover Guitarra, Cover Baixo e Batera.

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