Taylor Swift tenta enganar com novo álbum "eletrônico", mas falha miseravelmente...

r-tadeu
Na Mira do Regis

Gosto muito do desejo de um artista em redirecionar sua carreira para um universo mais adulto. Há inúmeros exemplos de gente que fez isto com certo brilhantismo – Robbie Williams, Justin Timberlake e o trio Hanson são os exemplos que surgem em minha mente no exato instante em que escrevo estas linhas -, outros que ficaram no meio do caminho – como Pink e Alanis Morrisette - e aqueles que naufragaram vergonhosamente, como os Backstreet Boys e todas as outras ridículas boy bands.

Era engraçado ouvir as canções de Taylor Swift porque sempre que surgia sua imagem interpretando aquelas bobagens, tinha-se a impressão de que ela era apenas o que deveria ser: uma menina fã de Faith Hill e de country music que começou a carreira aos 14 anos e que vinha sendo forçada a ficar cada vez mais pop para um mercado mais afoito em salivar para jovens garotas bonitinhas e com ar angelical. Coisa de gente chegada a uma “pedofilia mental” e inconfessável. Desde que tinha a mais tenra idade, ela vinha apresentando aquilo que se esperava dela: canções pop inofensivas, com um forte acento country.

Só que ela agora tenta esconder isso em 1989, seu mais recente álbum, o que é uma pena para as fãs de seus trabalhos anteriores. Não dá para deixar de pensar que ela fez o mesmo direcionamento de Miley Cyrus em busca de um público mais “adulto”. Nova imagem, novo som, nova postura, nova sensualidade… Só que sem a coragem e a petulância de fazer as mesmas baixarias de sua “colega”.

Se o tom do disco era celebrar uma “despedida” e anunciar um redirecionamento a uma nova fase, 1989 fracassa miseravelmente na intenção. Você pode tocar o álbum por horas e só terá bocejos como recompensa. Abdicando do barulho que poderia fazer em termos sônicos caso tivesse a ousadia de mergulhar realmente dentro de um universo eletrônico, ela continua tentando fazer uma música pop cada vez mais acessível. Cada uma das faixas aqui foi pensada para tocar nas rádios e em todas as outras grandes mídias da atualidade. Tudo limpinho e asséptico, pronto para servir de trilha sonora para comercial de carro.

Não, o título do álbum não celebra alguns de seus heróis. Pelo contrário, é apenas o ano em que ela nasceu. Mais egocêntrico que isto, impossível. Pior: tem gente saudando este álbum nas redes sociais como “revolucionário”? Oi? Como é que é???? E ainda tem colegas na imprensa engolindo esta papagaiada…

“Welcome to New York” começa se o Prince e o Gary Numan resolvessem botar a filha da Kim Wilde para cantar. Mesmo assim, a canção até que é simpática, embora um pouco histriônica. É a faixa “menos ruim” do disco, mas a anos-luz de distância do épico que pretendia ser. “Blank Space” dá a mesma impressão que a anterior, embora sua qualidade melódica seja bem inferior. Diminuta tanto em beleza quanto em conteúdo, simplória e supérflua, é tão chinfrim quanto as canções dos álbuns anteriores.

Se “Style” tenta reafirmar um ‘retorno’ aos anos 80 na parte instrumental - embora as linhas de vocais de Taylor pudessem estar em qualquer canção da Demi Lovato -, em “Out of the Woods” ela parece uma menina de colégio americano fazendo homenagem à Bonnie Tyler, tão cafona é a canção.

“Shake It Off” é constrangedora em sua tentativa de soar ‘ganchuda’ – como “Happy”, de Pharrell Williams, ou mesmo “Hey Ya!”, do OutKast -, conseguindo ser apenas um pastiche de Pat Benatar tentando imitar a Gwen Stefani. Já “All You Had to Do Was Stay” poderia muito bem estar em um álbum da própria Cyrus, assim como as horríveis “Bad Blood”, “How You Get the Girl”, “Wonderland” e “I Know Places”. Como um esboço de canção rejeitado pelo Erasure, “I Wish You Would” faz par em mediocridade com “Clean”, que faz Taylor parecer uma candidata medíocre dos ‘The Voices da vida’. Por sua vez, “New Romantics” tem levada rítmica claramente chupada de “Stand Back”, da Stevie Nicks. Ah, e ainda têm baladinhas singelas - “Wildest Dreams”, “You Are in Love” e “This Love” -, totalmente deslocadas no meio do álbum.

Cadê a ‘revolução’ nisso?

Todas as canções, somadas, dão a sensação de estarmos diante de mais um álbum de fácil assimilação por parte dos fãs com pouquíssima capacidade de discernimento. Não foi à toa que a grande maioria dos ‘baba-ovos’ estão colaborando com esta “nova” etapa, comprando o álbum aos milhões ainda no “formato físico”. Ponto para a Swift, seus produtores e a equipe responsável por uma massacrante campanha de marketing.

Por mais que tente soar como um divisor de águas na carreira dela, este trabalho é mais um colosso em desigualdade e ruindade, absurdamente pouco inspirado, que não acerta em 99,7% do tempo de sua duração. Chega bem perto dos piores momentos que infestaram o ano de 2014. Como não sou fã dela – e nem de ninguém – afirmo categoricamente que, apesar da nova roupagem, 1989 é uma tremenda bola fora.