Fim da novela.

On The Rocks

A novela do mensalão, que se arrastou por oito anos, teve seu capítulo final ontem de forma bastante melancólica, sem muita graça ou surpresa depois de ter sido rotulado de maior escândalo de corrupção da história brasileira.

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Foi, de fato, o maior escândalo de corrupção, mas não a maior ou mais lesiva corrupção. Maior escândalo, o de mais repercussão. E, como sabemos, repercussão, repercutir, são os verbos mais usados nas assessorias de imprensa.

Repercutiu muito, talvez até em demasia, tomou centenas de horas de nossa atenção, pautou o noticiário político por quase uma década. Isso é mais que suficiente para aceitarmos a veracidade do “maior escândalo”, nunca da maior corrupção.

Estamos vendo, concomitante à prisão dos mensaleiros, a questão do desvio de meio BILHÃO dos cofres da Prefeitura de São Paulo, num conluio entre a administração pública, alguns de seus funcionários e uma parte considerável das construtoras que atuam na capital paulista. Ao mesmo tempo, o metrô de São Paulo, assim como a CPTM, também estão na berlinda quando se fala de desvios vultuosos de dinheiro público.

Maior escândalo, repito, não é maior corrupção, sequer a mais lesiva.

De qualquer maneira, a novela dos mensaleiros parece mesmo ter tido um fim. Sem muita comoção, pois estávamos um pouco de saco cheio do enredo. Teria durado demais.

O ponto é que esta duração não só pautou a mídia (e por ela foi pautada, em um moto-perpétuo) e os lares; virou pauta quase que única da oposição. A direita deitou e rolou no tema, apontando o dedo em riste para o PT, afinal corruptos são sempre os outros. Como ideia fixa , refestelaram-se.

A novela acabou. Com ela, as revistas e jornais de fofoca mudarão o tema.

Para alguns diretamente interessados, acabou cedo demais. Perdeu o mote e o calendário político. Aquilo que não funcionou nas duas últimas eleições, quando a audiência estava alta, não funcionará nas próximas.

É agora que a oposição terá que se reinventar. Terá que parar de apontar o dedo e construir planos, pautas e projetos para o país. O denuncismo, a indignação falsa, fingida, não colou.

Por esta perspectiva, o fim da novela veio bem a calhar. Não deu os resultados políticos que esperavam, ansiavam, sonhavam orgasmicamente.

Se ainda anseiam por algo, terão que se adaptar e passar do denuncismo para uma agenda positiva. Isso poderá criar debates, discussões, enfim.... política. Resta saber se, depois de tanto tempo vivendo ao redor de uma novela, comentado-a nos elevadores, a oposição terá fôlego e preparo para tal.