Ordem über alles

Relutei em escrever um texto sobre a ocupação da USP por alguns motivos, dentre os quais não sei direito o que achar do movimento em si e por achar que a Raquel Rolnik foi precisa no assunto, assim como alguns alunos da USP que escreveram sobre a "autonomia seletiva" da universidade.

Sem mais questões, pensei. Até que vi jornais ridicularizando os manifestantes, revista que me recuso a linkar fazendo uma matéria altamente preconceituosa e, o pior de tudo, esta foto. Vejam bem a imagem: O foco é um policial segurando uma arma calibre 12 um palmo do rosto de uma estudante que está com as mãos na cabeça. Reparem na expressão do policial, na mão esquerda pronta pra recarregar a arma de alto poder de destruição (mesmo que seja uma bala de borracha, àquela distância poderia matar).

Independentemente de qualquer, digo qualquer, consideração e opinião que tenhamos sobre o protesto dos estudantes, esta imagem deveria provocar bílis, devia gerar incômodo e desconforto em quem a visse, deveria revoltar o espectador.

Um agente do Estado não pode, salvo raríssimas exceções como uma vida em risco, constranger uma pessoa assim, muito menos pôr a integridade física dela e de outros em risco.

E digo com todas as letras, o que assustará o "cidadão de bem": Não importa o que a pessoa tenha feito; se ela não oferece mais risco (não falo da estudante, já que esta nunca ofereceu risco a ninguém... bem, talvez a um muro ou um móvel), a ação desse policial é desproporcional e ilegal.

Mas os "homens de bem" acham esse policial um herói. Afinal ali, a um palmo de uma 12, estava alguém que cometeu algum crime. Uma maconheira? Uma vândala? ... Um bando de vagabundos, enfim, que merecem o puro arbítrio do policial. São cidadãos de segunda classe, pensam esses homens que se consideram de bem.

Qual crime nefasto, inominável, hediondo que esses estudantes cometeram? Não sei... mas a julgar pelos meios de comunicação, pelas opiniões que li, os homens de bem, que defendem a ordem acima de tudo, acima do direito e da lei, pediriam facilmente que o policial apertasse o gatilho contra um Mahatma Gandhi ou Luther King.

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