Mudança na política de aplicativos da Apple nos lembra quão sem sentido é o iPhone de 16 GB

Ontem a Apple afrouxou as regras para os publicadores de aplicativos: agora é possível criar apps de até 4 GB – algo que deve afetar poucos apps muito complexos, como versões de jogos de videogame. A mudança é bem-vinda, mas ela nos lembra de um problema importante: em 2015, é um desperdício de dinheiro comprar um iPhone ou iPad de 16 Gb. Aliás, a Apple nem deveria oferecer mais essa versão.

Pra começar que o iPhone de 16 GB não tem isso de espaço disponível. Como qualquer pessoa com um iPhone magro em espaço deve ter percebido nas últimas atualizações, o iOS, sistema operacional, ocupa cada vez mais espaço – algo entre 3 e 4 GB. Se você é um usuário ávido de WhatsApp, que entra em grupos com muitos vídeos e fotos, deve ter um backup de 1 GB ou mais. Se resolve baixar uma playlist do Spotify para ouvir offline, ou guarda algumas músicas no iTunes, pode contar alguns gigazinhos à conta. Somando fotos, podcasts ou apresentações no Keynote, é muito rápido chegar ao limite de espaço. Porque até o cache do Safari, que serve para carregar as páginas mais rápido, está em mais de 400 MB no meu iPhone.

Quem tem um aparelho de 16 GB tem que constantemente pesar o quanto vale cada mega armazenado. É claro que a nuvem ajuda um pouco – poder jogar as fotos constantemente para o Dropbox, ou as músicas no Spotify, ajudam. Mas é chato. E atrapalha bastante a experiência do usuário, e em certa medida a própria imagem da Apple. Um iPhone 6 de 16 GB, é bom lembrar, custa mais de 3 mil reais. E por mais incrível que seja seu desempenho, acaba sendo um aparelho em que você não pode fazer tudo que a propaganda mostra. Experimente gravar um vídeo em slow-motion para ver o tamanho do arquivo. Com 16 GB, não dá para ter tudo que ele oferece, e o que você pagou.

Para completar, a diferença do preço de armazenamento, para o fabricante, é cada vez mais negligível. De acordo com uma empresa que avalia componentes, 16 GB de memória custam à Apple na China US$ 9,40 por iPhone. Já 32 GB custa exatamente o dobro disso: US$ 18,80 (o de 64 custava, no início do ano passado, US$ 29). Mas na hora de chegar ao consumidor, isso vira mais de 400 reais de diferença. É claro que a estratégia de lucrar um bocado com cada aparelho está dando muito certo, mas chega um momento que o preço cobrado por uma ninharia como a memória interna começa a não valer à pena pra ninguém.

O iPhone nunca teve entrada para microSD, como outros aparelhos, então a escolha de espaço de armazenamento persegue o usuário por bastante tempo. É comum ver as pessoas desesperadas por ter um iPhone acabarem, com o dinheiro contado, comprando a versão menos cara, de menos espaço. E isso é bastante ruim para todos os envolvidos. Tenho quase certeza que os próximos iPhones e iPads não terão versão de 16 GB. Mas a Apple poderia ter feito isso há alguns meses já. Porque não dá mais para escolher o que vai sair para um novo app entrar. E, com o novo limite, pode esperar que alguns jogos bem legais vão aparecer. Pena que nem todo mundo poderá baixá-los.


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