Em breve, será possível mudar de operadora sem precisar de outro chip

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A Apple não mencionou na sua apresentação um dos detalhes mais interessantes do iPad Air 2 (e do novo iPad Mini): ele é o primeiro dispositivo a vir com o “Apple SIM card”, um chip “genérico” onde é possível mudar de operadora nas configurações do aparelho, sem precisar trocar o chip. No site da Apple, a nova função é descrita assim:

“O Apple Sim lhe dá a flexibilidade de escolher de uma variedade de planos pré-pagos de operadoras selecionadas nos Estados Unidos e Reino Unido no próprio iPad. Então, quando você precisar, pode escolher o plano que funciona melhor pra você – sem compromissos de longo prazo. E quando você viaja, você também poderá escolher um plano de dados de uma operadora local pela duração da sua viagem.”

Nem todas as operadoras dos EUA estão no barco (e nenhuma do Brasil, por enquanto), e só planos pré-pagos são possíveis, mas apesar dessas limitações, a nova função aponta para o fim do SIM card como conhecemos em um futuro não muito distante. O anúncio ontem parece uma mensagem clara para as operadoras, como bem notou o Verge, de que a tecnologia deve estar em um iPhone logo. E ou elas entram no barco e disponibilizam a função para seus clientes ou correm o risco de não terem compatibilidade com o aparelho.

A Apple não estará sozinha. Com antenas cada vez mais poderosas (a presente no iPhone 6 e iPad Air 2 é compatível com 20 bandas diferentes de 4G), um celular pode, teoricamente, funcionar em várias redes, mudar de uma pra outra rapidamente e até em mais de uma ao mesmo tempo. Logo, o Apple SIM mostra que poderemos ter a função de celulares com 2 ou 3 chips, populares no Brasil, em aparelhos mais “premium”.

Quer dizer, o “logo” depende de outros fatores. Só no ano passado, foram vendidos mais de 200 milhões de chips no Brasil. Ainda é um mercado bastante lucrativo para as operadoras, apesar de analistas de telefonia acharem que ele chegou ao pico. Poder escolher que operadora usar nas configurações do aparelho pode ser bom para o consumidor (e para a Apple, que pode ganhar comissões sobre a venda de planos pré-pagos), mas é difícil ver as empresas de telefonia cedendo facilmente esse terreno.

De todo modo, será interessante ver o desenrolar dessa novela, que é só mais um capítulo da relação de amor e ódio da Apple com as operadoras. Steve Jobs cogitou criar a sua própria operadora antes de lançar o primeiro iPhone, em 2007, para ter maior velocidade. A Apple nunca permitiu que elas modificassem o aparelho, seja por fora (era bem comum ter a logo da operadora na carcaça, hoje menos) ou dentro – não aparece um logo da TIM ou da Vivo ao ligar um iPhone. A empresa de Cupertino ainda forçou as operadoras a fornecerem dois padrões diferentes de SIM card, menores. Todas as outras fabricantes, com o tempo, adotaram as mesmas estratégias, e as operadoras perderam força de barganha. E com recursos como iMessage, WhatsApp, Viber, Facetime, Hangouts e afins, o futuro de só ter receita vendendo planos de dados não parece tão animador assim para elas. Por enquanto, bom pra gente.

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