Novo Moto X traz números grandes para chegar ao topo

Além do ótimo custo-benefício Moto G, a Motorola lança hoje no mercado brasileiro (antes do resto do mundo) a atualização do Moto X. O nome continuna igual, mas há algumas mudanças importantes, o preço relativamente camarada, para nossa realidade, de R$ 1.499.

Hoje, o Moto X (que tem menos de um ano de idade) é “um dos 3 smartphones premium mais vendidos” do Brasil, segundo a Motorola – os outros, imagino, são o iPhone e o Galaxy S5. Mas a diferença de preço entre o Moto X e os dois é significativa, o que é impressionante quando consideramos a qualidade do Moto X.

O Moto X “velho” é, para mim, o melhor Android à venda no Brasil. Então como a versão nova melhora isso? Com algumas coisas bem legais e outras de gosto duvidoso. A tela tem 5,2’‘, contra 4,7’’. A Motorola justifica a mudança basicamente com “o povo quer algo maior”. Ou seja: pra atrair quem quer comprar um novo smartphone, eles têm que oferecer algo grande – se não a pessoa não vê a compra como um upgrade. O que eu particularmente acho uma pena. O Moto X conseguia um equilíbrio incrível de tamanho de tela e “pegada”. A diferença do velho para o novo não é pequena. Veja os dois lado a lado, na foto que o Verge tirou:

(Moto X 2013, à esquerda e o novo, com traseira de bambu. Foto: The Verge)

O processador mudou também, e agora é um quad-core (o Snapdragon 801). Por que exatamente a mudança, já que o X dava conta de tudo, com sobras? “O consumidor queria spec (especificações) também. Ele queria ouvir ‘o meu é quad core’”, explica Edson Bortolli, diretor de produtos da Motorola no Brasil.

A tela também parece ter mudado só porque, bem, é preciso dizer que a resolução é incrível. Se antes ele era HD agora o display de AMOLED tem 1920 x 1080 (423 ppi). Não sou contra a evolução tecnológica, especialmente quando ela não aumenta o preço. Mas, honestamente, o anterior já era muito bom, e a uma distância normal do telefone, os pixels são imperceptíveis, pra mim.

A questão é que todas essas melhorias de tela e processador vieram sem um grande upgrade da bateria: ela tem 2300mAh, e com mais tela e mais pixels, a vida dele pode sofrer. A ver.

Mas bom, a câmera é um upgrade que é indiscutivelmente um upgrade. Tem 13 MP (contra 10 MP da anterior) e um “Ring Flash”, um anel de LED que aparentemente melhora as fotos noturnas – e dá uma cara bacana, customizável. O software dela é, disparado, o melhor de uma câmera até hoje. Além de gravar vídeos na resolução 4K, o novo Moto X começa a tirar fotos um pouco antes (e alguns segundos depois) de você efetivamente disparar. Aí depois ele oferece a foto de melhor qualidade (sem olhos ou caras fechadas). Bem esperto.

Em termos de visual, o design é efetivamente mais premium. Ele tem toda a cara de um smartphone caro agora. As bordas são de alumínio (“metal, metal. Não imitação de metal”, como cutucou Bortolli da Motorola durante a apresentação), e a parte de trás pode ser em um couro discreto mas de bom gosto, madeira ou policarbonato, em 17 cores. Há um cuidado com design que lembra o da Apple (ou os mais recentes da HTC), como a simetria da logo e a câmera e os conectores.

Tudo isso justifica quem quiser fazer um upgrade? Depende de qual aparelho você tem. Os smartphones hoje estão tão bons, mesmo os “médios” como o G, que é difícil entregar novidades significativas em um ciclo de um ano. O ritmo de inovação diminuiu, o que é natural, e agora a corrida parece ser por números: mais megapixels, polegadas, resolução, e núcleos.

A evolução no software me pareceu mais interessante, e, fora a câmera, o Moto X tem novos truques interessantes que podem ser muito úteis se você 1) dirige muito e 2) recebe muitas notificações.

Entre as novas funções de voz, há a integração com alguns apps. Então você pode falar “OK Google Now” (ou qualquer outra frase que quiser, é configurável) “Mande uma mensagem de WhatsApp para Pedro: Estou atrasado”. E isso pode ser bem útil, salvar vidas no trânsito, etc. O Now agora “conversa” mais, pede confirmações, diz “não entendi” ou “você quis dizer”, etc. Se você falar “Tirar selfie”, ele desbloqueia a tela, espera 3 segundos e tira uma foto com a câmera frontal, mas eu estou pra ver uma situação onde fazer isso é mais rápido do que usar as mãos. 

Outro truque interessante é a capacidade de mostrar o conteúdo das notificações sem acender toda a tela ou entrar no aparelho, só vendo o ícone (de um e-mail, por exemplo) e apertando nele. Isso faz com que as pessoas desbloqueiem menos o aparelho, o que conserva a bateria e deixa as pessoas ligeiramente menos ansiosas. Nas pesquisas da Motorola, os usuários do Moto X ligavam o aparelho 60 vezes por dia só para ver notificações. Com as novas notificações inteligentes na tela bloqueada, o número diminuiu para 27.

Por último, há 4 sensores infra-vermelhos que “sentem” a sua presença. Então, se você quiser rejeitar uma chamada, basta passar a mão pelo telefone. E se quiser ver só as horas, basta chegar perto da tela. Teoricamente isso funciona melhor que outros aparelhos que prometem fazer o mesmo (como alguns Galaxy), por não usar a câmera frontal. Mas na unidade que eu usei rapidamente durante a coletiva, não funcionou sempre.  

Seja como for, é um telefone bem bom, provavelmente “o melhor Android já feito”, como sugere o Verge. Vou passar um tempo maior com ele e tentarei confirmar.  

Mais informações e especificações técnicas no site da Motorola.

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