Resolução de ano novo #1: fechar mais abas do navegador

Acesso o histórico do Chrome e descubro que na última hora de navegação, abri 43 páginas, chuto que pelo menos metade delas em novas abas. Isso é bastante comum na minha vida online, e, olhando friamente, me parece demais. Eu posso ser um mau exemplo, mas acho que a minha experiência passeando pela internet é comum a muita gente: eu faço uma busca e seleciono três ou quatro resultados para ler depois, em novas abas (eu faço isso segurando o control, ou command, e clicando no link). Clico em alguns, que me levam a outros. E, com o déficit de atenção que acomete qualquer pessoa online, logo eu esqueço de algumas janelinhas. Minutos depois eu me pego lendo a Wikipédia sobre o ano de lançamento de um filme qualquer. O que me faz gastar ainda mais tempo com inutilidades nem tão divertidas assim.

Para economizar tempo e me deixar menos ansioso, prometo abrir menos abas em 2015. Já tinha feito essa promessa ano passado, e tenho que dizer que de alguma forma progredi (era crítica a situação). Mas preciso melhorar a minha relação com elas ainda mais.

“Abas abertas demais é um problema inventado, Pedro”, você pode argumentar. Porque teoricamente abrir abas economiza tempo, já que quando você muda para ela, a página já está pré-carregada. Mas na prática o exercício de abrir novas abas e mantê-las disponíveis para acessar depois é a própria tradução das tendências de procrastinação que nos afligem quando estamos com teclado e mouse à disposição.

Quando abro um monte de abas, e as deixo lá, tenho a sensação de que tenho um monte de coisas a fazer, o que acaba de certa forma me paralisando, me impedindo de passar para outra tarefa. A sua consciência apita algo como “você precisa anotar os ingredientes daquela receita”, e cada aba que revisitamos nos leva a pensar em outra coisa, atrapalhando o foco. Há diversas pesquisas que mostram que se você fizer uma coisa por vez, provavelmente terminará cada uma mais rápido. Eu consigo ler melhor em um iPad do que em um computador pela natureza monotarefa dele. Com as interrupções constantes e a possibilidade de abrir novas tarefas mentais o tempo todo no computador, a tentação de procrastinar é grande.

Isso sem falar, é claro, em como a performance do computador é afetada com um monte de abas abertas – o que acaba retardando ainda mais o que precisamos fazer prioritariamente. Experimente navegar de uma forma mais old-school, tentando fazer menos coisas de cada vez, e terminando de ler o que está aberto antes de abrir novos compromissos mentais. Alguns truques podem ajudar você a cumprir a resolução:

  • Selecione um programa para mandar as coletâneas de links. Há gente que guarda em pastinhas organizadas no Evernote, ou coloca textos maiores no Pocket. Quando você se deparar com algo que vale ler, mas não há tempo agora, mande para uma fila ou arquivo e feche a aba.

  • Use mais o histórico do navegador. Se você é desses que deixa a aba aberta com medo de que vai se esquecer depois do endereço de alguma coisa, lembre-se que você sempre pode fazer buscas no histórico – às vezes é até mais rápido do que achar em qual aba você deixou o quê. Use o Ctrl+H no windows ou ⌘+Y no Mac para acelerar ainda mais o processo.

  • Use uma extensão para limitar o número de abas abertas. É uma opção extrema, mas funciona para a gente se reeducar. O x-Tab, para o Chrome, permitem que você defina um limite (10 abas, digamos) e quando você passa dele a mais antiga (ou menos visualizada) é automaticamente fechada.

  • Crie coleções de abas e faça projetos. Quando vejo que abri 10 sites com informações sobre, digamos, o problema de ter muitas abas abertas“, e eu sei que não vou terminar de escrever um texto a partir dessas informações agora, eu abro o meu editor de texto, crio um ”muitas abas yahoo.txt” e jogo todos os links, para referência depois. No Mac, há um serviço que automatiza esse processo.

Essas são algumas das estratégias possíveis para uma navegação mais minimalista, com menos distrações, em 2015. Volte aqui amanhã para novas resoluções tecnológicas.

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(Crédito da ilustração: Stylecliques)