Candidato evangélico é nanico, mas pode ser decisivo para levar disputa ao segundo turno

Se candidato a presidente com o nome de batismo, Everaldo Dias Pereira (PSC) talvez fosse apenas mais um daqueles outros oito que só aparecem acompanhados da expressão nanico. O foco da eleição está nos três primeiros colocados, vistos com chance de vitória. Sua diferença é que registrou a chapa como sendo o candidato Pastor Everaldo. Tem conseguido três ou quatro pontos nas pesquisas basicamente por isso. Mesmo que não o conheçam, eleitores optam por ele por se identificar como pastor.

Os evangélicos somam 27% do eleitorado, conforme pesquisas recentes. Um terço dos eleitores é uma fatia gigantesca. Não é um absurdo projetar que se tornarão força política cada vez mais relevante nos pleitos. No Nordeste, já são 34%. Nas regiões metropolitanas, 29%.

Em eleições presidenciais passadas, as diversas igrejas evangélicas dividiram-se. O mesmo deve se repetir agora. Mas há pelo menos quatro grandes grupos evangélicos apoiando o Pastor Everaldo. Deve crescer até outubro. Se crescer mais três ou quatro pontos, pode ser fundamental para levar a disputa para o segundo turno e tornar seu apoio nele relevante.

Entre aqueles que se dizem evangélicos, o Pastor Everaldo tem 61% das intenções de votos. Dilma (PT) tem 20%, Eduardo Campos (PSB) _por causa de Marina Silva_ fica com 18% e Aécio Neves com 15%.

Pastor Everaldo tem uma plataforma socialmente conservadora. Só admite casamento entre homens e mulheres e é contra o direito ao aborto, claro. Mas é um liberal no campo econômico, defendendo o empreendedorismo, o "fim de quaisquer restrições à propriedade privada" e pregando redução de impostos. Tem também o capital como seu senhor. E este não costuma ignorar quem reza por seu credo.