Você compraria um carro usado de um destes candidatos que querem dirigir o país?

Classificados da disputa presidencial: Dilma Rousseff (PT) tem em sua declaração de bens um Fiat Tipo, 1996, avaliado em R$ 31 mil; Aécio Neves (PSDB) listou um Land Rover Freelander, 2012, de R$ 167 mil;  Eduardo Campos (PSB), um Fiat 500, 2012, de R$ 36 mil.  No mercado, é possível comprar modelos desses carros com valores inferiores aos declarados pelos candidatos à Presidência. Mas e o valor simbólico? O carro de Dilma dá imagem de humildade, o de Aécio, poder, e o de Campos, modernidade. Mas a disputa será decidida por aquele que transmitir mais confiança.

A eleição norte-americana de 1960 é um marco na história do marketing. Foi a primeira em que um debate eleitoral foi televisionado, o que mudou o grau de influência da publicidade sobre a política. O democrata John Kennedy bateu o republicano Richard Nixon. Uma das razões para a vitória de Kennedy foi que espectadores acharam-no mais bem apessoado e inteligente que Nixon nos debates da TV. Kennedy parecia um dândi. Nixon era mais feio que Boris Skarloff, o ator célebre de Frankenstein.

Na soma dos votos dos eleitores, Kennedy teve apenas 131 mil votos a mais que Nixon. Historiadores já alinharam uma dezena de suspeições, mostrando fraudes eleitorais em favor de Kennedy, em especial no Texas, em Illinois e na Califórnia. Sem a vitória nesses estados, teria perdido para Nixon no Colégio Eleitoral que decide a eleição americana.

A campanha de 60 é histórica também pelo papel agressivo dos responsáveis pela estratégia de comunicação de Kennedy. Uma década antes de Watergate, queriam impingir a Nixon a pecha de mentiroso, pouco confiável, espertalhão. Escolheram uma foto em que aparece com um sorriso maroto, olhos no canto e o indicador de quem aponta para o interlocutor. Para finalizar, os publicitários colocaram sobre a foto uma única frase e espalharam-na pelo país afora: "Você compraria um carro usado deste homem?"

Como tudo no marketing, não há compromisso algum com a verdade nesta peça. Difunde suspeição. É um modo genial de fazer marketing. Mas é perverso para o debate político. Não critica ou propõe uma ideia ou um projeto. Apenas maneja fantasmas, uma tática cada vez mais em uso. Mas a mensagem que fica é que é preciso ter a confiança em que se escolhe para votar _ no padrão estabelecido ao comprar um carro usado.

Mas carros não são confiáveis por si nem como indicadores. Não dá para votar com base na página de classificados. Confiança é um valor abstrato. Trajetória, coerência e projetos são mais concretos.

Os carros dos presidenciáveis

Dilma Rousseff (PT), 66 anos, economista, patrimônio de R$ 1,750 milhão
Fiat Tipo 1996 (R$ 30.642)

Aécio Neves (PSDB), 54 anos, economista, patrimônio de R$ 2,5 milhões
Land Rover Freelander 2012/2012 (R$ 166,5 mil)

Eduardo Campos (PSB), 48 anos, economista - R$ 550 mil
Fiat 500, 2012. (R$ 35.632)
Kia Cerato, da mulher Renata (R$ 55 mil)

Eduardo Jorge (PV), 64 anos, médico, R$ 400 mil
Citroen C3, 2010, (R$ 39.200)
Honda Fit 2003 (R$ 30 mil)

Pastor Everaldo (PSC), empresário, 58 anos, R$ 120 mil
Toyota Corola Plaza (R$ 28.451,38)

José Maria Eymael (PSDC), 74 anos, advogado, R$ 17 milhões
Peugeot 406 2001 (R$ 25.998)
Fiat Tipo 1994 (R$ 12.160)
Mitsubishi Pajero (R$ 142.500)
Chevrolet Blazer Executiva 1999 (R$ 56 mil)
Balsa salva vidas Nautiflex, embarcação modelo Focker 25.5 (R$ 123.770)

Levy Fidelix (PRTB), 62 anos, R$ 650 mil
Fiat 1.6, (R$ 15.752)

Zé Maria (PSTU), 56 anos, não tem carro declarado, R$ 20 mil

Luciana Genro (PSOL), 43 anos, não tem carro declarado, R$ 185 mil

Mauro Iasi (PCB), 54 anos, professor - R$ 200 mil
Peugeot, 2006, FX 1.4 (R$ 11 mil)

Rui Costa Pimenta (PCO), 57 anos, nada declarou