Na reta final, voto feminino poderá desempatar disputa Dilma x Marina

Com as pesquisas de opinião indicando empate técnico tanto no primeiro como no segundo turnos entre Dilma e Marina, será importante observar o comportamento das eleitoras mulheres. Maioria do eleitorado – elas são 74 milhões contra 68 milhões de homens – elas tem decidido as eleições no Brasil.

Pois homens e mulheres podem apresentar comportamentos diferentes em termos de tendência de voto. Em 2010, por exemplo, Dilma ganhou tanto no eleitorado masculino como no feminino, mas proporcionalmente a petista teve mais votos entre os homens do que entre as mulheres. Vários analistas apontam que a migração de votos das mulheres para a oposição, na reta final da disputa, foi decisiva para a realização do segundo turno em 2010.

Naquela eleição, o oposicionista José Serra (PSDB) forçou a mão no tema do aborto com forte viés moral, o que coincidiu com um afastamento do eleitorado feminino no segundo turno (pesquisas mostraram que as eleitoras consideraram na ocasião o aborto um assunto a ser definido em foro íntimo; o exemplo sugere como errar na comunicação com as mulheres pode ser fatal em uma eleição).

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Além de maioria, as mulheres apresentam outra característica que vem se repetindo em todas as eleições: elas têm uma tendência maior a definir o voto nos últimos momentos. Em 2014 não será diferente. Nas pesquisas “espontâneas”, quando o entrevistado diz o que lhe vem à mente sem a apresentação prévia de nomes, as mulheres registraram no início de setembro um grau de indefinição (faixa dos 37%, segundo dados compilados pelo Instituto Patrícia Galvão, de São Paulo) superior ao dos homens (27%). Mais do que o “estimulado”, o “espontâneo” detecta a consolidação do voto.

Ou seja: em disputas acirradas como a de agora, surpresas e reviravoltas podem acontecer por conta do comportamento do eleitorado feminino, que tende a definir seu voto às vésperas da eleição. Até aqui, entre mulheres, Dilma e Marina seguem também empatadas no primeiro turno, embora a trajetória do eleitorado de Dilma (desde 2010) seja mais masculino do que o de Marina.

Seja como for, daqui até 5 de outubro as campanhas devem intensificar os seus discursos para as mulheres. Ao segmentar suas mensagens – o que em termos amplos inclui não apenas mulheres, mas negros também — as candidaturas buscam explorar todas as brechas possíveis para a vitória. Caso permaneça acirrada a disputa, a mensagem segmentada será aquela que poderá fazer a diferença.

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