No Brasil agressão a mulheres é parte da rotina, mas dá para mudar a cultura?




No mesmo dia (quarta, 20) em que a imprensa divulgou o caso de uma menina de 12 anos estuprada por três garotos dentro de uma escola no Jardim Miriam, zona sul da capital paulista, começava em São Paulo o I Seminário Internacional Cultura da Violência contra as Mulheres, organizado pelos institutos Patrícia Galvão e Vladimir Herzog. Foi no SESC Pinheiros com auditório lotado.

A menina estuprada no Jardim Miriam faz parte de uma (macabra) rotina: calcula-se que são 500 mil estupros por ano no país. Já a suposta demora da escola em agir à agressão, conforme denunciou a advogada da garota, faz parte de uma cultura. Desqualificar a vítima do estupro como acontece muitas vezes (“ela provocou”, “é invenção dela”, “ela estava de minissaia”) faz parte de um modo de agir diante de uma tragédia que afeta milhares de mulheres no Brasil e no mundo.No caso da menina, ela pediu desculpas à mãe, segundo a imprensa.

Durante o seminário foram citadas várias estatísticas. No Brasil, uma mulher é assassinada a cada 90 minutos, em geral dentro de casa. A cada 5 minutos uma mulher é agredida. Uma pesquisa do Énóis Inteligência Jovem com 2.285 jovens revelou que 41% sofreram algum tipo de agressão física por parte de homens; 77% sofreram assédio físico, desde estupro até toque ou beijo forçado.

Cultura é uma palavra muito ampla que comporta muitos significados. Um deles, é que cultura é todo um modo de vida. No Brasil, existe, pois, uma exacerbada cultura de violência contra a mulher. É quando a rotina vira algo normalizado e, até, tacitamente aceito (via o silêncio, por exemplo).

Como quebrar este ciclo?

O Brasil tem caminhado, de alguma forma. Novas leis como a da Maria da Penha e do Feminicídio ajudam. Delegacias, Casas da Mulher, Disque-Denúncias, também. Mas, e a cultura da violência contra a mulher, aparentemente tão entranhada? Para além de transformações de longo prazo (igualdade econômica, por exemplo), campanhas de mídia foram apontadas no seminário como ações imediatas. Foi citado o exemplo da campanha HeForShe das Nações Unidas.

Sai do seminário com a notícia do estupro do Jardim Miriam ainda martelando na cabeça. Enfrentar a violência contra a mulher no Brasil é um trabalho para gerações.

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Imagem:Upslon/Flickr