PT completa 35 anos entre flores e pedras

Rogério Jordão
PT completa 35 anos entre flores e pedras

O PT completará 35 anos nos próximos dias.

Quando nasceu, em fevereiro de 1980, o partido era uma espécie de Black bloc da política brasileira: estava (quase) fora do sistema. Não fazia alianças, era dos trabalhadores e para os trabalhadores: vote 3, o resto é burguês, dizia seu slogan de campanha. Quando se candidatou a governador de São Paulo em 1982 Lula foi ao debate da TV vestindo uma camiseta. Teve cerca de 10% dos votos.

Agora o partido acumula 12 anos seguidos à frente do governo federal e está diante de mais um mandato. Tudo mudou, evidentemente. Como a população enxerga o PT?

Particularmente nas redes sociais a sigla é para muita gente a encarnação do mal: de corrupção, de tudo o que está errado, do demônio brasileiro. Há uma rejeição forte e fundamentada. Na Era Lula, os ricos ficaram mais ricos e os pobres menos pobres: de alguma forma a classe média mais ligada nas redes sociais pagou parte da conta, acreditam muitos analistas.

Por outro lado, e apesar dos pesares, o PT continua a ser o partido preferido dos brasileiros, segundo as pesquisas. Em outubro do ano passado, 15% dos eleitores disseram ter preferência pelo PT, contra 4% do PSDB e 2% do PMDB.

Esse preferência, porém, já foi bem maior. Em 2010, no final de 8 anos de governo Lula, quase um em cada três brasileiros (29%) se diziam simpáticos ao PT, contra 7% do PSDB e 4% do PMDB.

A preferência ao PT encolheu em 4 anos. A popularidade do partido desabou junto com a popularidade de todo e qualquer partido político: atualmente 75% dos brasileiros rejeitam os partidos (antes eram 51%).

Será a rejeição ao PT ou à política em geral?

Possivelmente as duas coisas, pois para muita gente, em especial os mais jovens, o PT é sinônimo de governo e de política. Sinônimo, pois, de tudo o que está errado (os serviços públicos ruins, a precariedade da saúde, a educação insuficiente), ao mesmo tempo que encarnação da “política”, essa instituição “maléfica”.

Mesmo assim, na última eleição 11,8 milhões de pessoas votaram em deputados federais do PT, superando o PMDB (10 milhões) e PSDB (9,1 milhões). Mas esses números também declinam: o partido elegeu menos deputados agora do que em 2010. Pela curva das preferências eleitorais, dificilmente a oposição perderá a próxima eleição.

Recentemente a senadora Marta Suplicy deu uma entrevista à imprensa vaticinando: ou o PT muda ou acaba. Os números acima mostram que se um dia o PT acabar, não será para já: o partido tem capital ainda.

Já mudar (de rumo) é outra história.

Os partidos políticos são veículos. Com ou sem PT, com ou sem os partidos existentes, os problemas e desafios brasileiros continuarão. Não se resolverão por osmose, muito menos sem conflito de interesses. Quem dará conta? Flores ou pedras, vai do gosto da plateia.

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