Criança ou mini adulto?

Horas no salão, cuidados intensivos com a beleza, aulas de passarela e preocupação de caber no vestido... Não, não estamos falando da rotina de top models, mas das duas menininhas da foto acima, Isabella Barret e Alana Thompson (mais conhecida como Honey Boo Boo), pequenas misses e celebridades americanas.

Os números dos concursos de beleza infantis americanos são de gente grande: eles movimentam cerca de 5 bilhões de dólares por ano nos Estados Unidos e contam com milhares de participantes que investem centenas de dólares e uma incontável energia para emplacar a filha como miss, e consequentemente, modelo, atriz, cantora... E, para isso, elas entram num universo de roupas sensuais e maquiagem excessiva que roubam a beleza real de quem tem apenas cerca de 6 aninhos.

Como mãe e consultora de moda muitas vezes me assusto com algumas roupas infantis expostas nas vitrines. Vestidos curtinhos e colados no corpo, com um sensual decote de renda nas costas que vai quase até o "bumbum", deveria ser uma proposta para crianças? A moda está ligada a identidade: a forma como nos vestimos, nos apresentamos, fala sobre nós antes de dizermos qualquer palavra. Ajudar nossos filhos nesse desafio de se expressar através de suas escolhas e pontuá-las, afinal, nem tudo convém, está entre as nossas tarefas como pais.

Sabe aquela velha frase "criança tem que se vestir como criança"? Assino embaixo. A moda infantil recebe sim influência das criações das passarelas, mas deve ser adaptada para os pequenos. Um exemplo? As estampas animais que estão em alta também podem encher de graça a roupa das meninas, mas sem a pitada de sensualidade que por vezes acompanha a estampa no segmento feminino adulto.

Saber que tudo tem seu tempo também faz parte do processo de crescimento. Salto alto? “Ah, você vai poder usar muito quando for mocinha” (e vai ter muitas saudades dos dias que passou descalça!). Maquiagem? “A gente se maquia para ficar com a pele assim, feito a sua”, digo para minha filha de 8 anos, que sorri satisfeita de passar apenas um brilhinho na boca. Enalteço os cachos dos seus cabelos do jeito que são. E, assim, falando de moda e beleza a gente mexe com algo mais profundo nos filhos: autoestima.

Brincar com as roupas da mãe, vestir os sapatos de salto e se pintar toda com a maquiagem que encontra no banheiro faz parte do processo de descobertas do universo feminino – e é tão divertido quanto saudável. Agora, “adultizar” as meninas é pular etapas e não deixar que elas vivenciem vestidas e confortáveis como crianças uma das melhores fases da vida. A que passa mais rápido e deixa as melhores lembranças.