Cãozinho na cama é tão bom… mas pode?

Rafael Pinto


Dormir com um peludo fofo na cama pode ser considerado algo agradável e inofensivo para muitos tutores. No entanto, será que compartilhar o mesmo espaço de sono com o pet é um hábito saudável? O tema pode até dividir a opinião dos donos, mas quando os especialistas entram em jogo a recomendação é categórica: lugar de cachorro não é na cama.

A primeira preocupação tem a ver com a saúde. Há casos de transmissão de doenças entre cães e humanos, de você para seu pet e vice-versa. Esses problemas, conhecidos como zoonoses, podem incluir, por exemplo, raiva e dermatites. Mas não se apavore! Segundo médicos veterinários, o importante é manter a higiene dos animais.

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“Não há necessidade de manter os animais afastados dos tutores por causa das zoonoses. O primordial é ter um controle rígido da limpeza do cão e de suas vacinas”, diz Bárbara Nogueira, que atende no bairro da Lapa, em São Paulo.

Bárbara explica que a maioria dessas doenças são facilmente evitáveis com vermífugos e vacinas. Portanto, não há razão para paranoia: basta ficar de olho aberto para o asseio de seu cãozinho. A dica é reforçar a limpeza de partes do corpo que têm mais contato com o chão e a rua, como as patas. E lembre-se: você também pode passar doenças para o peludo, portanto cuide de sua higiene pessoal antes de partir para o sono, principalmente, se for uma soneca compartilhada.

Além da saúde, outro fator que preocupa especialistas é a qualidade da relação entre cães e donos, e como ela pode influenciar o comportamento dos bichos. Cachorros que dormem com seus tutores geralmente são muito mais ligados a eles do que se espera da convivência entre humanos e animais. Isso pode não ser visto como um problema pelos tutores, mas veterinários e adestradores garantem: a independência das mascotes é fundamental.

“Viver colado no dono é extremamente nocivo para o cachorro. Ele pode desenvolver síndrome de ansiedade de separação e ter problemas sérios de comportamento”, alerta Bárbara.

A síndrome de ansiedade de separação ocorre quando o pet não consegue mais ficar longe de seus donos. Em decorrência dessa dificuldade, hábitos como latir sem parar, destruir mobílias e fazer as necessidades no meio da casa, por exemplo, podem se tornar corriqueiros. “Determinar o espaço do dono e do cão é essencial para uma relação saudável e deve ser feito desde o nascimento do cachorro”, diz a veterinária.

Confira dicas para esse processo de mudança de comportamento:
- Determine um novo espaço para o cãozinho dormir, para que ele crie uma identificação, aos poucos, com o local. Pode ser uma casinha ou uma caminha para pets.

- Estimule o uso da nova área. Você pode recompensar o mascote com presentes ou brincadeiras quando ele for para seu novo ambiente de sono.

- Não deixe o animal subir mais em sua cama. Treine comandos para que ele entenda quando deve ficar e quando deve se afastar.

- Incentive seu pet a ficar sozinho em situações diferentes. Não deixe que ele o acompanhe por toda a casa ou em todas as tarefas. Ao se sentir confiante sozinho, ele naturalmente terá mais facilidade em se desvencilhar de você na hora da soneca.