Como treinar cães guias de cegos e deficientes

"Não basta ser cão, tem de participar!" Posse responsável implica, claro, donos presentes, e o ideal é que os caninos sejam presentes também, cada um participando a seu modo e conforme sua capacidade. Assim como os Shar Peis e Pequineses já são bastante úteis só por nos darem o prazer da companhia, outras raças, como o Pastor Alemão, Labrador ou Golden Retriever, marcam presença de forma bem mais ativa.

Além dos cães de guarda, dos quais já falamos em outra ocasião, temos ainda os guias de cegos e deficientes físicos em geral, assim como a versão peluda dos "Doutores da Alegria", ótimos auxiliares na companhia e recuperação de pacientes em hospitais e perfeitos companheiros para pessoas com graves problemas mentais ou físicos. Vamos então falar dos cães que trabalham a ponto de se tornarem extensões dos donos.

Um profissional de visão
Provavelmente a popularidade do cão guia de cegos rivaliza com a de seu colega que trabalha como guarda. Mas, enquanto a vocação para Guardabelo ou Guardabela é inerente a boa parte dos cães, para ser guia é preciso vocação e treinamento especiais — além do grande porte.

Para se tornar guia, o canino não vai somente usar aquele bonezinho, faixa, trela ou colete como "uniforme" que o ajuda a ser notado em sua função — nem vai se limitar a exercer o privilégio do acesso a qualquer lugar junto ao dono, ao contrário dos outros caninos.

Ele deve ser muito bem socializado, sabendo se comportar em diversos ambientes, inclusive na rua, e obedecendo a todos os comandos básicos, orais ou visuais; afinal, nada mais útil na hora de o dono pedir ao cão que apanhe objetos como medicamentos, chaves, telefones ou celulares (o cão pode assimilar até cerca de 200 nomes curtos de objetos que deve trazer para o dono).

O treinador treinado
O adestramento para cão guia deve começar cedo (aos três ou quatro meses de idade) e leva algum tempo (no mínimo um ano, e pode exigir assistência de treinadores profissionais). Antes do "uniforme profissional", o "estudante" usará "uniforme escolar", como faixas ou bonés, para que todos saibam (com a ajuda verbal do treinador, claro) que ele está em treinamento e não deverá ser distraído ou incomodado — nem com carinho ou conversa, pois o treinamento é intensivo e peludos não têm a capacidade humana de acariciar bichos, ouvir rádio, escrever no computador, tomar café, conversar com colegas e pensar no namorado ou namorada ao mesmo tempo; eles precisam estar totalmente concentrados no aprendizado. Aliás, no aprendizado e depois no exercício da função também — que ninguém os chame para brincar, eles não brincam em serviço literalmente!

Como bom professor é o que também aprende, você também poderá se tornar treinador(a) de cães de guia, bastando estar em ótimas condições de saúde, ser alérgico a preguiça, saber comandar e se comunicar — além de disposição, força física e paciência para conter e repreender gentilmente o peludo caso ele, no começo do treinamento, resolva tentar perseguir um gato que passe de repente.

Isso mesmo, cães mais inquietos e hiperativos vão exigir uma "socialização da socialização", com muita paciência, reforços positivos (preferir elogiar e incentivar os acertos a castigar os erros) e disciplina a mais firme (embora gentil, claro) possível. Mesmo que o dono nunca tenha ouvido falar em Thoreau e sua "desobediência civil", parte do treinamento inclui a chamada "desobediência inteligente", ou seja, a capacidade de reconhecer quando obedecer a um comando fará mal e não bem. Um exemplo clássico é mandarmos o cão atravessar a rua, "vai!", mas ele parar ao ver um carro se aproximando — não sendo bobo nem nada, preferiu ser desobediente a virar tapete.

Enfermeiros peludos

Já falamos em outro artigo sobre animais de estimação fazerem bem à saúde. Pois bem, eles podem ajudar não só a prevenir ou minimizar doenças como asma e estresse, mas também a remediar outros problemas de saúde, no sentido de oferecerem alívio e companhia a pacientes em recuperação.

O treinamento do cão terapeuta, como o do guia, começa cedo e dura pelo menos um ano. O cão terapeuta deve ser dos mais dóceis e cooperativos (o Golden Retriever costuma ser indicado como ideal), e suas atribuições incluem fazer absolutamente nada, ou seja, ficar parado por muito tempo (parece fácil? Experimente), enquanto o paciente o fica afagando ou penteando, para se exercitar ou acalmar.

Isso também costuma ser ótimo para estimular o paciente a reagir. Não são incomuns casos de comatosos que retomavam a consciência ao terem as mãos colocadas sobre cães terapeutas e começarem a acariciar estes. A simples presença de um cão num hospital já ajuda na recuperação por quebrar o ambiente "de hospital", asséptico e pragmático.

A carga horária de um cão terapeuta não é muito grande, normalmente três horas por dia e um dia por semana, pois ele tem de estar sempre muito bem limpo, e certas raças, como o Golden Retriever, não tomam mais de quatro banhos por mês, por serem suscetíveis a dermatites (o ideal para cães, em média, é um banho mensal).

Sim, cães com vocações e funções especiais merecem treinamento especial, e o próprio dono deve estar preparado e treinado para treinar seu cão. E, sem dúvida, os peludos bem assessorados por humanos também participam para todos fazermos deste um mundo melhor!

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