Guia geral de treinamento para cães de guarda

Quase todo cão serve de "guardinha", e quase nenhum ladrão vai ficar e pagar para ver se o cão morde ou não. Mas este texto não é um guia de treinamento de cães policiais ou guardas profissionais, que exige tempo, dinheiro e equipe especializada, e sim de cães de guarda caseiros, cujo treinamento, pelo menos o básico de socialização, pode ser feito em casa — embora exija muito mais atenção que a simples socialização para companhia, já que a frase "cão de guarda é arma carregada" tornou-se clichê justamente por ser verdadeira.

"Acãodemia" de polícia
O ideal é que o cão tenha muita disposição para atividade física, incluindo jogos e brincadeiras vivazes, NÃO seja impulsivo e se adapte bem a mudanças de ambiente ou clima. Ao contrário dos cães de companhia, que podem ter um nome e um "monte" (dois ou três) apelidos, é aconselhável que o cão de guarda tenha um nome só e aprenda a atender prontamente quando chamado por ele. Chame-o pelo nome e dê-lhe uma recompensa e elogio quando ele atender, até que ele aprenda que deve vir na hora quando chamado pelo nome ou pelo comando de "Vem!".

O cão pode ser treinado com qualquer idade, mas quanto mais jovem ele for, melhor (o ideal é de seis a 16 semanas de idade), para que os ensinamentos de guarda não se choquem com outros; por exemplo, se ele já for adulto e foi ensinado a não pular para cima de pessoas, será mais difícil (embora não impossível) ensiná-lo a pular para cima de pessoas estranhas.

O ideal é que o treinamento seja feito por profissionais, mas se o peludo for bem socializado em casa já teremos meio território marcado. Todo cão deve ser muito bem socializado, mais ainda um cão de guarda, que precisa obedecer instantaneamente a todos os comandos básicos ("vem!", "junto", "pega!", "quieto", "é amigo" etc.) do dono — incluindo todos os membros da família, até mesmo outros bichos de estimação — e treinador, e somente a estas pessoas, não a estranhas e muito menos invasoras, de quem ele não deve obedecer nem aceitar nada, nem mesmo "petiscos" que podem ser perigosos ou letais para ele.

O incentivo sempre deve ser positivo e não negativo — ou seja, o cão deve ser elogiado quando acerta e não castigado quando erra ou demora a aprender — , para que o bicho não se torne indevidamente  agressivo. O cão deve ser treinado para reagir a pessoas estranhas e, ao mesmo tempo, ser gentil e boa companhia com as pessoas e bichos de casa, e também deve receber a mesma atenção e carinho de um cão de companhia.

Treinar cães para guarda era muito fácil... Exige algum tempo — umas duas semanas para obediência, mais dois a três meses para treinamento de guarda —  e paciência.

Cão que ladra é como se apitasse
O cão deve latir e dirigir-se ao dono quando perceber algo inusitado ou uma pessoa estranha e latir quando um estranho se aproxima. Se uma pessoa estranha se aproximar, deixe o cão latir até você mandá-lo parar; se for pessoa amiga, dê o comando de "é amigo!" ou similar para que ele pare de latir, não se esquecendo de recompensá-lo quando ele obedecer.

O ideal é treinar o peludo para procurar um membro da família caso ocorra algo errado ou incomum; este treinamento consiste em deixar o cão latir e chamá-lo para recompensá-lo com um petisco ou brinquedo de mastigar, para que ele desenvolva o reflexo de latir e avisar a família ao perceber algo errado. Se ele é do tipo "falador", que late muito, é preciso ensiná-lo a atender ao comando de "quieto", borrifando-lhe a boca com água ou sacudindo uma lata cheia de parafusos ou outro objeto que faça barulho irritante para ele.

Quem e onde o cão não deve atacar
No começo pode dar trabalho ensinar o cão a não pular sobre visitas amigas e ao mesmo tempo pular em cima de estranhos. E cuidado ao deixar cães treinados para atacar estranhos perto de pessoas estranhas bem-vindas! Nunca é demais lembrar que cães têm raciocínio bem mais simples que humanos, e se foram treinados para reagir a pessoas estranhas, eles não são obrigados a adivinhar se elas são ou não velhas amigas do dono e atacarão mesmo.

Cães de guarda são treinados mais para parar de atacar do que para atacar. O bicho deve também ser treinado, com o comando de "não!", para evitar avançar agressivamente em outros bichos da casa, inclusive gatos, nem sucumbir à tentação de fêmeas no cio.
Outro detalhe é familiarizar o cão com as fronteiras do território — casa, chácara, fazenda, o que for — para evitar que ele as ultrapasse caso precise perseguir um ladrão ou intruso. Leve-o para conhecer as fronteiras durante vários dias, e solte-o da coleira; se ele ameaçar avançar para além, dê o comando de "não!" ou similar até ele aprender.

O cão deve ser ameaçador para os intrusos, e não para toda e qualquer coisa ou pessoa. O bicho deve ser socializado de forma a atacar por instinto, não por "medo de tudo" que possa o levar à "coragem nascida do medo" e atacar até o dono. E se seu cão for naturalmente bravo, não se esqueça de colocar no muro ou portão uma placa de "cuidado, cão bravo" ou similar.

Guarda é para todos
Caninos de todas as raças podem ser treinados para guarda. O que pode variar é o temperamento de cada um — há até um teste para isso.

Esses passos são o suficiente para o peludo vir a ser um bom guarda caseiro. Não se esqueçam de dar a ele ainda mais atenção e carinho que para um "simples" cão de companhia — além de, claro, bom salário na forma de boa ração, bons brinquedos, bons passeios e bom carinho. Se guardas são "mal necessário" de nossa sociedade desigual e violenta, cães de guarda estão longe de ser um mal.

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