Haja energia!

Como lidar com cães "elétricos" e hiperativos

HiperativoUm dos muitos detalhes em que "cão também é gente" é no pique. Uns cães são contemplativos e devagar-e-sempre, outros não param um instante, sempre inquietos, pulando em cima de tudo e de todos, cavando buracos quintal afora ou destruindo tudo, mesmo quando adultos. Sem dúvida, eles precisam que sua energia seja libertada e canalizada, para não virem a sofrer de apatia, carência, agressividade, excesso de latidos e até automutilação (quando o canino, não achando o que fazer, rói as próprias patas). Obviamente, atividade física é ótima também para socializar o peludo. E veja só: muitas vezes, a hiperatividade é uma forma de exigir que o líder — você — lidere e dê atenção.

Dando uma volta sem rodeios
Se os humanos nasceram para andar e correr, imagine os caninos, com o dobro de pernas. Uma das formas mais básicas e prazerosas de gastar energia é o passeio. O ideal é no mínimo um por dia e com o dono, ou, se não for possível, com outro membro da família, faxineira ou passeador.

Se o cão disparar na frente, é sinal de que ele precisa de passeio e exercício mais frequentes. E convém não deixar que ele leve você; afinal, ele precisa ser lembrado, especialmente se tiver temperamento muito dominante, de que o "alfa", o líder, é você. (Vale relembrar a opinião da cantora e produtora Tereza Miguel, "mãe" de sete caninos: "Não faz a menor diferença se minha cadela e meus cães acreditam que mandam em mim. Aliás, na hora do passeio, há uma liderança compartilhada, que se verifica pelo comprimento da guia.")

E ele pode também acompanhar você nas compras (em lugares onde seja permitida a entrada de seres charmosos mais peludos que Tony Ramos, é claro).

Brincadeira tem hora — e pode ser agora
Não seria agora que eu deixaria de dizer que cães lembram crianças em muitos aspectos — e gostar de brincar é um deles.

Uma das atividades mais divertidas — e que até virou parte do folclore canino — é atirar algo para o bicho ir buscar, como bolinha, vareta ou frisbee. Apostar corrida também é muito bom. Idem brincar de cabo-de-guerra — mas tem dois detalhes. Se o cão ainda for filhote, sua dentição estará se formando, portanto não puxe com muita força; se ele ficar com os dentes doloridos, pode demorar e dar trabalho para ele querer brincar de cabo-de-guerra novamente. E nunca deixe o cão ganhar, para ele ter sempre certeza de que você é o líder.

Esconde-esconde é outra brincadeira divertida e saudável. Mas pega-pega não! A última coisa que se pode desejar é que o cão aprenda a fugir do dono... E não se esqueça: além da inteligência canina não se igualar à humana, a coordenação motora também é mais limitada. Evite apostar corrida com o cão em rampas ou escadas com muito zigue-zague, pois ele pode cair.

E é melhor fazer várias sessões curtas de brincadeiras do que uma única loooonga, para evitar que o peludo fique muito cansado ou aborrecido.

Destruir para construir
Tudo bem o canino gastar energia mastigando objetos que possam ser mastigados. Dê o comando de "Não" quando ele fizer menção de mastigar jornais, meias ou a comida da mesa. Mas deixe-o à vontade com seus ossinhos de borracha, caixas de papelão, ossos grandes ou, como sugere o expert em comportamento animal Alexandre Rossi, cocos verdes. Obviamente, cuidado com grampos de metal, lasquinhas de osso ou madeira, pecinhas pequenas e outros itens com risco de engolição prejudicial ou sufocamento.

E se em outra encarnação seu canino foi tatu ou engenheiro do Metrô, e adora abrir buracos, é bom providenciar caixas grandes (ou mesmo piscinas plásticas) cheias de areia, inclusive com maçãs e vegetais (brócolis, por exemplo) enterrados para o cão se divertir e se beneficiar ainda mais.

Diversão até em casa
E quando chove? Alguns cães gostam de brincar na chuva, outros não. Frio também não atrapalha — pode até ajudar, pois as ruas costumam ficar menos cheias de gente. Agora, suponhamos que o canino não possa ou não deva sair de casa, por a tempestade lá fora ser realmente forte, o cão estar se recuperando de uma cirurgia ou dodói, ou ninguém puder sair com ele. Ele poderá gastar energia, e treinar obediência, em nível mais tranquilo.

Esconda petiscos pela casa (em lugares onde o bicho puder ir sem danos para ele ou a casa, claro) e faça o cão procurá-los, aumentando a dificuldade aos poucos e elogiá-lo cada vez que ele encontrar. Use também algum dos brinquedos prediletos do cão, de preferência um que faça ruído quando pressionado, como um bichinho de plástico, em baixo de algum tapete (obviamente dos mais baratos, que não liguem para escavações caninas), pano ou toalha. Uma variação, boa também para filhotes que estão descobrindo a casa e o mundo, é mostrar ao cão um brinquedo ou petisco e colocá-lo (o brinquedo ou petisco) a um meio metro de distância, bem à vista do cão, dar o comando "Pega!" e recompensá-lo quando obedecer. Repita colocando a prenda ou petisco cada vez mais longe, até começar a escondê-lo atrás de móveis ou dentro de recipientes (como aquelas garrafas pet) que ele possa destruir sem danos para ele mesmo ou a casa.

E treinar obediência? Deixe o cão num cômodo da casa, vá a outro cômodo e chame-o com toda a animação; a tendência é ele vir correndo. Logo que ele chegar perto de você, dê o comando de "Abaixa!" ou "Senta!".

Experimente também projetar na parede o facho de luz de um marcador a laser ou uma velha e boa lanterna; faça o ponto de luz correr pelas paredes para o cão persegui-lo à vontade. Outra sugestão é pendurar do teto um pneu ou outro objeto para o canino lutar boxe à moda dele, tentando alcançá-lo ou mordiscá-lo.

Outros detalhes

Você pode ser o dominador, mas os dominados também merecem atenção e respeito. Se seu cão tiver porte muito grande e/ou for muito inquieto ou estabanado, convém remover tudo que for enfeitinho, tapete ou objeto cuja única utilidade prática seja atrapalhar o caminho do tsunami peludo.

Caso o cão não sossegue nem com muito exercício, pode-se usar tranquilizantes como florais ou feromônio — mas nada de ir medicando seu amigo antes de verificar a causa da "eletricidade" dele e de levá-lo ao veterinário!

E, como se diz, cão é como carro, computador, filho, marido ou esposa: o ideal é ter mais de um, obviamente ao mesmo tempo e no mesmo local tratando-se de crianças e cães, que se tornam excelentes companheiros, inclusive "torrando" energia um com o outro.

Gostou dessa história? PEDIGREE® acredita que todo cão merece um lar feliz e lançou o programa PEDIGREE® Adotar é Tudo de Bom para ajudar cães abandonados.
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