Hora de dar tchau

rafael_spuldar

O abandono de animais é crime. No entanto, ninguém está a salvo de não poder mais manter os animais de estimação. Mudança de endereço, problemas de saúde e, até mesmo, questões financeiras são apontadas como motivos por donos que se veem obrigados a passar seus pets para novos tutores.

Esse momento é extremamente delicado na relação entre humanos e animais. O vínculo de afeto, proteção e convivência entre tutor e mascote tornam difícil e arriscada uma separação forçada, segundo a médica veterinária Bárbara Nogueira, que atende no bairro da Lapa, em São Paulo. “Um animal doméstico é como um filho: para a vida toda. Não poder mais cuidar do bicho implica consequências até mesmo para a saúde do pet. Essa deve ser realmente a única alternativa em casos extremos”, avalia a profissional.

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Entre os problemas que o peludo pode desenvolver está a chamada “síndrome da ansiedade de separação”, que ocorre quando o pet não consegue ficar longe de seus donos. Esse quadro inclui o surgimento de distúrbios comportamentais como: latidos incessantes, destruição de objetos e mobílias e necessidades fisiológicas desreguladas, a qualquer momento e em qualquer espaço. Apatia e falta de apetite também são comuns em situações de separação abrupta e podem provocar desnutrição e fraqueza.

Por causa disso, o ideal é fazer uma transição gradual, para que o cachorro se acostume com o novo ambiente e o novo dono. De acordo com Marcela, a procura por novos tutores deve considerar dois pontos:

1) Mesmo perfil de estrutura familiar: para evitar o estresse do cãozinho, o ideal, se possível, é passar sua guarda para uma família parecida com a atual. Se o pet não estiver acostumado a lidar com muitas crianças, por exemplo, podem haver dificuldades.

2) Manter o mesmo espaço físico: como a mudança de tutores em si já deve causar algum estresse no cão, transferi-la de uma casa para um apartamento não é aconselhado nessa situação. O cachorro deve ter preservado o seu espaço físico, com possibilidade de cultivar seus hábitos.

Outro ponto importante é priorizar a doação do cão para quem já tem experiência com animais. Pais de primeira viagem, apesar de bem intencionados, podem se atrapalhar com o novo integrante. A dica de Bárbara Nogueira é, antes de passar a guarda efetiva dos peludos, criar situações de convivência entre todos, para que o pet sinta-se à vontade e crie confiança nos novos tutores.

“Fazer passeios juntos e levá-lo para brincar no novo endereço contribuem para que o pet vá criando intimidade com as outras pessoas. Fazer pequenos testes, de deixá-lo passar uma noite na outra casa, também é uma boa estratégia”, aconselha a veternária.

Por fim, o alerta da especialista é o de se assegurar que hábitos alimentares, comandos e rotinas de passeios e idas ao veterinário serão mantidos. “Quanto menor for o impacto no dia a dia do animal, melhor”.