Não me deixe só: entenda a síndrome da ansiedade de separação

rafael_spuldar

Imagine só: você chega em casa após o trabalho e encontra o sofá destruído, xixi e cocô sobre o tapete e objetos espalhado por toda a casa. Esse cenário caótico é prova de que seu cachorro tem problemas de disciplina, certo? Bem, nem sempre. Animais que passam o dia inteiro em casa sozinhos, longe de seus tutores, podem passar por um quadro conhecido como “ansiedade de separação”.

Sentir saudades, ou não saber como agir quando está sozinho após um longo período na companhia de outra pessoa, é algo comum para humanos, mas que se intensifica quando se trata de cães. “Para eles, a vivência em grupo é inerente à condição natural da espécie. Portanto, ficar separado de seu tutor é encarado como um rompimento em seu grupo”, diz o veterinário Paulo Alves, que atende no bairro de Perdizes, em São Paulo.

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O médico afirma que a síndrome de ansiedade de separação é cada vez mais comum devido ao estilo de vida da maioria dos donos, que mantêm uma rotina de trabalho e estudos fora de casa. Os pets ficam cada vez mais sozinhos em apartamentos, o que contribui para o surgimento do quadro, segundo o especialista.

Apesar da popularização da síndrome, a identificação dos sintomas não é tão simples. A bagunça em casa e a defecação em locais não apropriados são sinais bastantes comuns, mas que podem confundir na hora de interpretar o que está acontecendo. “É importante ficar atento a outras mudanças, como a apatia e a falta de apetite, que evidenciam depressão”, ensina o veterinário. Segundo ele, essa é a melhor forma de diferenciar o ânimo do pet.

Outros exemplos de reações durante a síndrome são choros, latidos ininterruptos, uivos e desespero ao se despedir dos donos. “Se quando estão juntos os donos não ouvem uivos e choros, uma boa forma de tirar a dúvida é perguntar para os vizinhos sobre o comportamento dos pets quando se está ausente”, afirma Paulo.

E agora, o que fazer?
O veterinário Paulo Alves dá algumas dicas do que pode ajudar e o que deve ser feito para evitar a síndrome da ansiedade de separação. Confira:

1 - Evite despedidas longas: fazer drama no momento de dar tchau para o cãozinho pode criar uma situação de muita tristeza e frustração, que irá se repetir em todas as vezes que você for trabalhar. Seja breve e não estresse o animal.

2 - Não deixe o cãozinho seguir você o tempo inteiro: o pet precisa se acostumar a ficar longe de você. Viver sempre grudado aumenta a dependência do animal.

3 - Crie rotinas que incluam atividades físicas e brincadeiras: o pet precisa ter independência e interesse por situações que não dependam necessariamente de você. Ao estimular a se interessar por objetos, brinquedos e corridas, você contribui para que ele “corte o cordão umbilical” e consiga se distrair sozinho durante sua ausência.

4 - Se o quadro for critico e nenhuma das dicas acima ajudar, considere procurar companhia para seu pet, como contratar serviços de passeadores ou, até mesmo, ter outro cãozinho.