Olho na tela: a televisão faz mal ao cachorro?

Rafael Pinto

Depois de um dia cansativo de trabalho, é duro chegar em casa e encarar um cãozinho cheio de energia, esperando para pular, correr e morder o que encontrar pela frente. Ainda mais se a disposição do peludo coincidir com o programa de TV preferido dos seus donos, como a novela ou o futebol. Aí fica a dúvida: será que a televisão serve para baixar os ânimos dos pets, assim como acontece com a gente?

Há muitas discussões e dúvidas sobre a relação dos cães com a TV. Um dos questionamentos mais comuns é se, de fato, os cachorros conseguem assistir à programação, já que a visão dos animais é diferente.

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As imagens em vídeo transmitidas pela televisão são feitas de 30 quadros por segundo, enquanto a visão canina é capaz de perceber entre 70 a 80 quadros por segundo - acima do padrão dos seres humanos. Por isso, ao olharem para a tela, os peludos veem imagens borradas e se movimentando de maneira bem mais lenta, como se fosse uma projeção de slides.

“O que chama a atenção dos cachorros é essa troca de imagens, e não necessariamente o conteúdo do que está sendo exibido. Além disso, eles também se interessam pelo som”, diz a médica veterinária Bárbara Nogueira, que atende no bairro da Lapa, em São Paulo. Segundo Bárbara, mesmo com essa relação peculiar do animal com o aparelho, o efeito pode, sim, entreter e distrair o mascote, ajudando a acalmá-lo.

Nos Estados Unidos, os cãezinhos ganharam um canal de TV só pra eles. O DogTV, que foi ao ar em 2012, oferece imagem em HD, tecnologia que ajuda a diminuir os efeitos distorcidos da transmissão televisiva para os pets. Os criadores da DogTV explicam que a sua programação é voltada aos animais que precisam ficar em casa sozinhos durante o dia, quando os donos saem para o trabalho.

No entanto, a veterinária Bárbara Nogueira alerta para as consequências de manter o pet em uma rotina sedentária, voltada para a televisão. “Apesar de os cães poderem se interessar pelas reprodução de imagens na tela, não é recomendável que os tutores usem a TV como um recurso contínuo. Animais como os cachorros têm a característica natural de necessidade de interação com o ambiente e seres a seu redor. Por isso, a TV jamais deve substituir as brincadeiras e passeios ao ar livre”, afirma a especialista.

O indicado aos tutores é dividir o tempo em casa para que haja um momento específico de interação com os peludos. Pelos menos 20 minutos de brincadeiras com o animal, se o dia for muito corrido, já ajudam a suprir a necessidade de atenção e de estímulo às atividades físicas do bichinho.

“O importante é que, mesmo nos dias de rotina intensa, os tutores não ignorem o cão. É nesse tipo de situação que pode surgir o mau hábito da TV”, alerta Bárbara. Ela diz que, entre as consequências de uma vida sedentária, estão problemas de comportamento. “Cachorros que não gastam energia podem se tornar mais irritadiços e ariscos, com dificuldades de socializar com outros de sua espécie ou com os próprios tutores”.