Blogueiro saudita condenado a prisão e açoites recebe prêmio da União Europeia

Foto do blogueiro saudita Raif Badawi (centro) entre fotos de outros presos na Arábia Saudita durante protesto realizado em frente à embaixada saudita na Cidade do México. REUTERS/Edgard Garrido

Por Robin Emmott BRUXELAS (Reuters) - O blogueiro saudita Raif Badawi, que foi sentenciado a mil chibatadas e 10 anos de prisão por insultar o Islã e cometer crimes cibernéticos, recebeu o prêmio da União Europeia para direitos humanos e liberdade de expressão nesta quinta-feira. Badawi recebeu o primeiro dos 50 açoites em janeiro, o que desencadeou críticas severas de países ocidentais ao histórico de direitos humanos do reino, incluindo as restrições que impõe à liberdade religiosa e aos direitos das mulheres sauditas. Este mês, em Londres, Badawi já havia recebido o prêmio Escritor Internacional de Coragem e foi co-vencedor do prêmio PEN Pinter. Na segunda-feira, o embaixador da Arábia Saudita na capital inglesa ameaçou “repercussões potencialmente sérias” para os laços com a Grã-Bretanha a menos que uma relação mais respeitosa seja desenvolvida. Syed Kamall, parlamentar britânico e membro da Assembleia europeia que indicou Badawi à honraria da UE, disse que “a Arábia Saudita pode trancafiar o homem e pode açoitá-lo, mas só irá fortalecer entre seus conterrâneos o anseio pela liberdade de expressão e pelo debate que ele defende”. Um tribunal da cidade saudita de Jidá condenou Badawi em 2012 por ele ter criticado um clérigo saudita em um blog e pedir mudanças na maneira como a religião é praticada no país. A Arábia Saudita, que obedece o rígido código islâmico Wahhabi, não permite a adoração pública de outros credos nem a manutenção de locais de culto no país. Uma nova lei decretada no ano passado fez do ateísmo um delito terrorista. Criado em homenagem ao cientista e dissidente soviético Andrei Sakharov, o prêmio Badawi é concedido anualmente pela UE desde 1988. Seus primeiros contemplados foram Nelson Mandela e o autor e dissidente russo Anatoly Marchenko. (Reportagem adicional de Julia Fioretti)

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