Bloomberg viaja à COP25 como candidato contra a mudança climática

Por Anna PELEGRI
Michael Bloomberg cumprimenta alguém sentado entre a Ministra da Economia da Espanha, Nadia Calviño, e a presidente do Banco Santander, Ana Patricia Botín, em Madri, em um evento na conferência sobre mudanças climáticas da COP25

Michael Bloomberg, que deseja disputar a eleição presidencial contra Donald Trump em 2020, deseja apresentar nesta terça-feira na COP25 a mensagem de que os Estados Unidos não abandonaram a luta contra a mudança climática e que o país pode intensificar suas medidas.

"Vou à COP25 de Madri porque o presidente Trump não vai", tuitou o bilionário, pré-candidato do Partido Democrata na corrida presidencial.

O ex-prefeito Nova York pretende ocupar o espaço deixado pelo presidente americano, que decidiu retirar a maior potência mundial do Acordo de Paris e estabelecer uma distância dos esforços da comunidade internacional contra o aquecimento global.

Apesar da retirada de Trump, a luta contra a mudança climática está "progredindo nos Estados Unidos, graças às ações corajosas de cidades, estados e empresas", completou Bloomberg no Twitter.

Sua visita coincide com o início das negociações políticas na Conferência da ONU sobre o Clima, destinadas a intensificar a luta contra o aquecimento, embora até o momento nenhum país tenha demonstrado que pretende assumir o compromisso de fazer mais para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

A comunidade internacional enfrenta, no entanto, dois fenômenos de pressão crescentes: a mobilização da sociedade civil, liderada pelos jovens, e os alertas dos cientistas de que o planeta está a caminho do abismo se não atuar com urgência.

Acompanhado pelo ator Harrison Ford, Bloomberg apresentará em Madri o relatório "O compromisso dos Estados Unidos".

Elaborado por um grupo financiado pelo pré-candidato, o documento afirma que com um presidente que priorize a luta climática, as emissões de gases do efeito estufa podem ser reduzidas em 49% a nível nacional até 2030, na comparação com 2005.

Embora Trump tenha confirmado no mês passado sua intenção de abandonar o Acordo de Paris, que seu antecessor Barack Obama estimulou fortemente em 2015, os Estados Unidos não devem se retirar efetivamente até 4 de novembro de 2020, um dia após as eleições para a Casa Branca.

Bloomberg não é a primeira figura democrata a visitar Madri para garantir que a vontade de abandonar o Acordo de Paris não é algo unânime no país.

"Estou aqui para transmitir a mensagem de que mais de três quartos dos americanos acreditam que você deve ouvir: ainda estamos aqui", disse o ex-vice-presidente Al Gore na segunda-feira.

A presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, também reafirmou seu apoio na semana passada.

"Continuamos envolvidos (...) O mundo está ansioso para ver a verdadeira liderança americana diante das mudanças climáticas", disse à AFP Elan Strait, diretora de campanhas climáticas nos Estados Unidos para o World Wildlife Fund (WWF).

Para Strait, embora os esforços de atores não estatais possam levar o segundo emissor global "muito próximo dos objetivos dos EUA de Paris", a longo prazo será "simplesmente impossível" alcançar a neutralidade do carbono em 2050 sem o apoio do governo federal.