Bloqueio continua no Afeganistão para designar presidente

O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, em Cabul, em 23 de março

Ashraf Ghani e Abdullah Abdullah, que disputam a presidência do Afeganistão, ainda não conseguiram alcançar, nesta terça-feira (24), um acordo, apesar do anúncio dos Estados Unidos sobre uma redução da ajuda ao país em US$ 1 bilhão.

Na segunda-feira (23), em viagem a Cabul, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, não foi capaz de acabar com a crise política afegã.

A visita "criou uma ocasião para resolver a crise em curso, mas não foi usada corretamente", disse Abdullah, ex-chefe do Executivo, que apesar de ter sido o segundo nas eleições presidenciais de setembro se declarou vencedor.

Por sua parte, Ashraf Ghani, reeleito oficialmente em fevereiro, lamentou em um discurso televisionado que Abdullah pediu "uma emenda à Constituição (...) em uma noite", algo que, segundo ele, o governo não é capaz de fazer.

Após o fracasso de sua visita, Pompeo anunciou que a ajuda dos EUA seria reduzida "imediatamente" em US$ 1 bilhão e outros 1 bilhão em 2021 se o bloqueio político continuar.

Ashraf Ghani tentou tranquilizar a população afegã, assegurando que "a redução da ajuda americana não terá um impacto direto nos setores-chave", porque o governo "tem planos para situações inesperadas".

Ele também disse que os Estados Unidos não vão cortar "completamente" sua ajuda, mas que apenas apresentaram condições que o governo tentará respeitar.

O Afeganistão está passando por um momento crítico em sua história e enfrenta ao mesmo tempo o novo coronavírus, uma ofensiva do Talibã, a retirada das tropas americanas e o atraso na abertura de negociações entre Cabul e os insurgentes.

Depois de visitar o país, Pompeo se dirigiu a Doha, onde se encontrou pela primeira vez com o líder dos insurgentes talibãs, com os quais Washington assinou um acordo histórico há um mês para retirar as tropas estrangeiras do Afeganistão em troca de garantias de segurança dos rebeldes.

Esse acordo prevê a abertura de um diálogo sem precedentes entre o governo afegão e o Talibã para decidir o futuro do país e iniciar um processo de paz após 40 anos de guerra.

A abertura dessas negociações, prevista para 10 de março, não foi possível devido à incapacidade de Cabul de criar uma equipe de negociação, bem como a uma disputa entre o governo e os insurgentes sobre a libertação de milhares de prisioneiros insurgentes.

Enquanto isso, a violência continua no Afeganistão.

Ao destacar que o governo Donald Trump está determinado a deixar o Afeganistão antes das eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos, Pompeo confirmou que a retirada americana continuava apesar dessas interrupções.