Bloqueios contra coronavírus e falta de acordo nos EUA fazem bolsas despencarem na Europa e na Ásia

O Globo, com agências

TÓQUIO E LONDRES - As bolsas europeias e asiáticas voltaram a apresentar forte queda nesta segunda-feira, influenciadas pelos inúmeros bloqueios adotados pelos países para tentar frear o avanço da pandemia do novo coronavírus. Influencia ainda o humor dos mercados a incerteza sobre o plano econômico dos EUA para lidar com o coronavírus e alertas de resultados negativos de grandes empresas.

Na Europa, por volta das 7h15m, a Bolsa de Londres registrava queda de 4,28% e a de Frankfurt recuava 3,53%. Em Paris, a queda era de 3,70% e, em Madri, de 2,62%.

No Japão, a Bolsa de Valores de Tóquio foi uma exceção e fechou no verde graças ao iene fraco e ao Grupo SoftBank, que anunciou um plano ambicioso de alienar ativos e comprar ações. O ìndice Nikkei registrou alta de 2,02% no fim do pregão.

Já as demais bolsas asiáticas fecharam em forte queda. Em Hong Kong, a queda foi de 4,86%, enquanto que, em Seul, a bolsa despencou 5,34%.

Na China, o índice SCI 300, que reúne as ações mais negociadas nas bolsas de Xangai e Shenzen, a queda foi de 3,36%. Já o índice SSE da Bolsa de Xangai recuou 3,11%.

Mais de um bilhão de pessoas em mais de 50 países ou territórios receberam recomendações das autoridades para que permaneçam confinadas em suas casas para combater a propagação da COVID-19, segundo uma base de dados da AFP.

Alguns países tomaram medidas coercitivas, como França, Itália, Brasil e Argentina, assim como o estado da Califórnia (Estados Unidos), enquanto outros, como o Reino Unido e o Irã, se contentam no momento com recomendações.

Negociações fracassam nos EUA

O desemprenho dos mercados nesta segunda-feira também foi afetado pelo fracasso no domingo do Congresso dos EUA de aprovar um plano de mobilização de cerca de US$ 2 trilhões para apoiar a economia diante da pandemia de coronavírus. Apesar de intensas negociações, a Casa Branca, republicanos e democratas no Congresso não chegaram a um acordo na primeira votação.

- Essas quedas rápidas e sem precedentes ilustram a velocidade com que passamos de um pequeno medo da saúde pública para uma recessão global - disse Stephen Innes, analista da AxiCorps.

Tangi Le Liboux, analista da Aurel BGC, observa que, depois de tentar se estabilizar, os mercados estão novamente "sob forte pressão em aberto por causa da queda de Wall Street no fechamento de sexta-feira e o desacordo nos Estados Unidos".

- No entanto, podemos assumir que os dois campos conseguiram resolver o problema, mas a progressão da pandemia obriga investidores e analistas a revisar continuamente seus custos, o que já é exorbitante - acrescentou Le Liboux.

Os mercados também foram atingidos por alertas de lucros negativos de grandes empresas, como a petrolífera francesa Total ou a fabricante de aeronaves europeia Airbus.

A companhia Singapore Airlines também anunciou que deixará a maior parte de sua frota em terra até abril e disse que está lutando para sobreviver.

cegundo Tangi Le Liboux, "Continuamos a pensar que os mercados ainda não atingiram seu ponto mais baixo, mas não podemos dizer se o declínio continuará ou se os mercados se estabilizarão pelo menos temporariamente" com um acordo nos Estados Unidos.

Petróleo em queda

O preço do petróleo também caiu. Às 6h (hora de Brasília), o o barril de Brent perdia 5,49%, sendo negociado a US$ 25,50, enquanto o petróleo leve americano recuava ,50%, chegando a US$ 22,29 o barril.

Um sinal da volatilidade do mercado de petróleo bruto, que não é afetado apenas pela pandemia de coronavírus, mas também pela guerra de preços entre os principais produtores.