Bloqueios e interdições bolsonaristas atingem estradas de 7 Estados, MT e SC são mais afetados

Protesto após o segundo turno da eleição presidencial brasileira

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro que pregam o desrespeito ao resultado das eleições e uma intervenção militar no país, o que é ilegal, realizavam na manhã desta quinta-feira 73 interdições e bloqueios em estradas de 7 Estados, sendo Mato Grosso, importante produtor agrícola, e Santa Catarina, pólo de criação de aves e suínos, os mais afetados pelas manifestações golpistas dos apoiadores do presidente.

Os protestos de cunho golpista seguiam, embora em menor escala do que visto mais cedo e do que nos dois dias que se seguiram à derrota eleitoral de Bolsonaro para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo após o presidente divulgar vídeo na quarta pedindo a seus apoiadores que desobstruam as rodovias, ao mesmo tempo que disse que outras manifestações são legítimas.

Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgados por volta das 10h (horário de Brasília), Mato Grosso tinha 24 interdições de estradas, enquanto Santa Catarina registrava 16 interdições e 11 bloqueios. Pelos critérios adotados pela PRF, bloqueios ocorrem quando o tráfego é completamente impedido, e interdições, quando há interrupção parcial do tráfego. No total, de acordo com a corporação, eram 60 interdições e 13 bloqueios, e 876 manifestações haviam sido desfeitas.

Nesta quinta, o acesso ao porto de Paranaguá, no Paraná, uma das principais vias para as exportações agrícolas do país, havia sido completamente liberado após três dias de restrições devido às manifestações, segundo a autoridade portuária.

Em entrevista à CNN Brasil, o ministro da Agricultura disse ser contra os protestos que impediam o fluxo nas estradas, ao mesmo tempo que discordou da avaliação de que as manifestações de bolsonaristas pregando o desrespeito ao resultado das urnas fossem golpistas.

Bolsonaro não reconheceu textualmente sua derrota eleitoral para Lula e fez seu primeiro pronunciamento sobre a eleição 44 horas após a definição da eleição do petista para um terceiro mandato na Presidência da República.

Apesar da postura de Bolsonaro, que disse que os movimentos de cunho golpista de seus apoiadores são resultado de indignação e sentimento de injustiça com a forma que se deu o processo eleitoral, que deu a Lula a vitória com mais de 60 milhões de votos, o processo de transição de governo começará nesta quinta-feira.

À tarde, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, se reunirá com o vice-presidente eleito e coordenador da transição nomeado por Lula, Geraldo Alckmin, além da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e do coordenador técnico da transição, Aloizio Mercadante.

Após reunião entre o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, e outros representantes da corte com Ciro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, o relator da transição no TCU, ministro Antonio Anastasia, disse que a equipe do atual governo demonstrou "grande receptividade" e interesse em fornecer as informações necessárias para a transição à equipe de Lula.

Além dos atos golpistas nas estradas, apoiadores de Bolsonaro foram na quarta-feira, feriado do Dia de Finados, para portas de unidades do Exército em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, entre outras, pedir a intervenção das Forças Armadas, o que é ilegal.