Bloqueios de estradas no último dia de outubro derrubaram vendas e produção de veículos no mês

As manifestações antidemocráticas que bloquearam estradas e importantes vias de grandes cidades afetaram a produção e as vendas de veículos no último dia de outubro. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o último dia do mês costuma ser o melhor em vendas. Em setembro, no dia 30, foram vendidas 17 mil unidades. Já no dia 31 de outubro, devido aos bloqueios, as vendas caíram para 9 mil, uma diferença de 8 mil unidades em relação ao mesmo dia do mês anterior.

– Os emplacamentos diários vinham crescendo, mas no último dia do mês, no pós-eleição, vendemos 9 mil unidades frente aos 17 mil do dia 30 de setembro com os bloqueios – disse Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, observando que, em outubro, foram vendidas no total 180,9 mil unidades frente às 194 mil de setembro.

Considerando as vendas do último dia de outros meses deste ano, que variaram entre 14 mil e 15 mil, Leite avalia que entre 6 e 9 mil unidades deixaram de ser emplacadas.

Desconsiderando o último dia do mês, os emplacamentos diários em outubro cresceram 2,3%, com média de 9 mil unidades/dia frente às 8,8 mil unidades/dia de setembro. As vendas acumuladas de janeiro a outubro chegam a 1,6 milhão de unidades ante 1,7 milhão no mesmo período do ano passado.

Os bloqueios de estradas feitos por 'bolsonaristas' também prejudicaram a produção. Segundo o presidente da Anfavea, funcionários não conseguiram chegar às unidades e houve falta de insumos. Com esse problema no último dia útil do mês, as linhas de montagem fabricaram 206 mil unidades em outubro frente às 207,8 mil unidades de setembro.

– A produção de veículos teve um arrefecimento no dia 31 de outubro. Faltaram funcionários e insumos para a produção. Se o ritmo normal de produção tivesse sido mantido, teríamos batido o recorde do ano em outubro – disse Leite.

No ano, a produção acumulada chega a 1,9 milhão de veículos. No ano passado, o resultado foi de 1,8 milhão de unidades.

Novo governo

Leite disse que o setor vê com o 'otimismo de sempre' a troca de governo. Para a Anfavea, se houver manutenção do corpo técnico dos órgão que conversam com a indústria automotiva, e isso tradicionalmente acontece, não haverá grandes mudanças.

- Se os técnicos se mantiverem para nós é normalidade seja com governo A, B ou C. As manifestações parecem que estão voltando á normalidade, sem impactar o setor produtivo. Para nós, a questão logísitica é fundamental - afirmou o presidente da Anfavea.

Para que a estimativa de vendas da Anfavea para este ano se concretize, o setor precisa vender 456 mil unidades nos dois últimos meses do ano. Lima avalia que o número é factível, já que, em 2019, por exemplo, antes da pandemia, foram vendidas 505 mil unidades em novembro e dezembro.

Em 2020, as vendas nos dois últimos meses do ano chegaram a 469 mil unidades, já com a pandemia afetando a produção industrial e, em 2021 foram 380 mil, com o setor já sofrendo a crise da falta de semicondutores.

– Na avaliação da Anfavea, o cenário para vendas continua factível. Mas diferentes cenários podem impactar as vendas, como a Copa do Mundo. Há pequenas paralisações, mas não como a crise do primeiro semestre – afirmou Leite.