BNDES lucra R$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre do ano

Rennan Setti
Letreiro na entrada da sede do BNDES, no Centro do Rio.

RIO — O BNDES lucrou R$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre do ano, alta de 68,7% em um ano mas estável em relação ao último trimestre. Embora o resultado com intermediação financeira tenha caído R$ 700 milhões em três meses, mas a perda foi compensada pelos ganhos com a carteira de ações e com a redução do volume de tributos pagos.

Já nos primeiros nove meses do ano, o BNDES lucrou R$ 16,51 bilhões, uma alta de 159,5% em relação ao mesmo período do ano passado proporcionada sobretudo pela incorporação da Fibria pela Suzano, no começo do ano, que rendeu R$ 8,3 bilhões para o banco de fomento.A carteira de crédito do banco caiu 1,7% no trimestre, para R$ 462,7 bilhões. No terceiro trimestre, o resultado total com as participações acionárias do BNDES, que somam cerca de R$ 115 bilhões ao todo, foi positivo em R$ 1,3 bilhão, contra R$ 1,66 bilhões no mesmo trimestre do ano passado. Nesse período, a única venda relevante de papéis foi a alienação de R$ 265 milhões das ações da empresa de softwares Totvs. Também houve R$ 363 milhões em pagamentos de dividendos da Petrobras.

Como antecipou O GLOBO no mês passado, o BNDES formulou regras para acelerar a venda da carteira de ações sem gerar atritos com o corpo técnico. O Conselho de Administração do banco aprovou recentemente novos critérios que visam à redução da exposição a risco, o que na prática deve obrigar a venda de algo entre 70% e 90% dos papéis em três anos. O presidente do BNDES não quis detalhar quais operações de venda de ações está avaliando no momento.

R$ 132,5 bi repassados ao Tesouro

O BNDES estima que terminará o ano tendo pago R$ 132,5 bilhões ao Tesouro Nacional, acima da meta determinada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de R$ 126 bilhões. O valor inclui o pagamento de repasses feitos pela União nos anos dos governos Lula e Dilma e também a antecipação de dividendos do banco ao Tesouro. Já foram pagos ao todo R$ 93,2 bilhões, e o banco planeja repassar nas próximas semanas mais R$ 39,3 bilhões (dos quais R$ 4,6 bilhões são dividendos). A projeção de quanto pagará no ano que vem será divulgada em dezembro, disse Montezano.

Nos últimos anos, o BNDES costumava pagar dividendos apenas no ano seguinte ao exercício e eles ficavam em 25% do lucro líquido ajustado da instituição. Pressionado por Guedes, o banco alterou recentemente sua política de dividendos, para antecipar os valores e fazer com que eles atinjam 60% do lucro.

BNDES:Após crise e saída de diretor, banco muda estratégia e venderá 90% da carteira de ações em 3 anosA inadimplência do banco (para créditos com mais de 90 dias de atraso) caiu de 2,95% para apenas 1,49%. Não entra nessa conta questões relacionadas à Odebrecht, que está em recuperação judicial e que tem o BNDES como um dos seus principais credores. Segundo Montezano, o banco já provisionou em seu balanço cerca de R$ 8 bilhões relacionados à empresa, o que tira eventuais créditos em atraso da conta da inadimplência.

Calote do Rio: 'Adoraríamos uma solução'

Não chegou a ser provisionado ainda o calote da prefeitura do Rio, que deixou de pagar dívidas contraídas pelo município durante a gestão do ex-prefeito Eduardo Paes e financiaram obras de infraestrutura da cidade para as Olimpíadas. Como publicou o site do GLOBO nesta quinta-feira, o banco já obteve o bloqueio de R$ 46,6 milhões das receitas a prefeitura a título de garantias.Nesta quinta, Montezano admitiu que o BNDES executou as garantias e disse que "adoraria" chegar o quanto antes a uma solução. Segundo ele, a prefeitura cessou todos os pagamentos na parcela de setembro.

— Sempre queremos ajudar estados e municípios. Quando tem inadimplencia, executamos as garantias, e assim estamos fazendo. Ao mesmo tempo, tentamos achar uma solução. Adoraríamos chegar a ela o quanto antes.

Dentro da meta de Montezano de "explicar a caixa-preta do BNDES" - termo usado por críticos para acusar a instituição de falta de transparência -, o banco lançou nesta quinta-feira um site dedicados a "temas polêmicos", como JBS e Odebrecht. Segundo Montezano, o banco vai fazer a adesão voluntária à Política Nacional de Dados Abertos.