BNDES vai atuar em parceria com outros bancos para financiar rodovias e portos

Bruno Rosa
Presidente do BNDES Gustavo Montezano, no Salão Oeste, do Palácio do Planalto

RIO - O BNDES vai atuar cada vez mais em parceria com outros bancos para aumentar o volume de recursos de forma a financiar projetos de infraestrutura no país. A afirmação foi feita pelo presidente da instituição, Gustavo Montezano, durante uma live com o ministro de Infraestrutura, Tarcísio Freitas, na tarde desta quinta-feira.

— Alguns investidores perguntam qual será a capacidade do BNDES atuar como financiador depois dessa crise? E podemos assegurar que não faltará recursos em reais de longo prazo para a infraestrutura brasileira. Estamos atuando cada vez mais próximo das condições de mercado para que ele possa possa cofinanciar com o BNDES. Desse modo, a gente consegue ampliar os recursos e o volume total de cada operação sindicalizando — disse Montezano.

Operação semelhante foi anunciada semana passada para socorrer as empresas do setor aéreo afetadas pela crise do Covid-19. No financiamento de R$ 6 bilhões para GOL, Latam e Azul, o BNDES vai entrar com 60% dos recursos e Banco do Brasil, Santander, Itaú e Bradesco, com 10%. O restante (de 30%) será feito via captaçao a mercado.

A ideia, segundo uma fonte, é que, se a criação desse sindicato de bancos for bem sucedida durante a crise, vai ser replicado em linhas tradicionais de financiamento para projetos futuros.

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Além disso, Montezano disse que o Banco está em fase final no desenvolvimento de produtos de garantia. Ou seja, segundo uma fonte, como o banco hoje não consegue medir o risco, ele não empresta. Com isso, a ideia do BNDES é que seja criado um fundo de cerca de R$ 20 bilhões, com recursos do Tesouro Nacional, para garantir 80% dos empréstimos e, com isso, destravar o crédito.

— A gente também está desenvolvendo produtos de garantia. O BNDES é muito conhecido por atuar com caixa. Está em estágio final para começar a atuar com garantia. A palavra garantia e sindicalização vão fazer cada vez mais parte do dia a dia do BNDES.

Apesar da crise do coronavírus, o BNDES e o ministério de Infraestrutura, segue trabalhando no projeto de concessão de rodovias e portos. A expectativa, segundo o BNDES, é que os mais de 7 mil quilômetros de rodovias sejam leiloadas no segundo trimestre de 2022. Mesma previsão tem os portos de Santos e do Espírito Santo.

Durante a live, ao comentar a devolução de alguns ativos de infraestrutura por inadimplência, o ministro Freitas disse que as taxas de retorno para os investidores serão revistas por conta da crise gerada pelo coronavírus.

— Vamos adequar as taxas de retorno interno nas novas modelagens para o cenário que temos hoje, de mais cautela e maior aversão a risco para trazer os investidores para cá. E no final das contas a competição é que vai definir a taxa de retorno, pois o que definimos morre no dia do leilão.

Marcelo Sampaio, secretário-executivo do Ministério de Infraestrutura, destacou as mudanças feitas nos contratos para atrair investidores, como modelos híbridos unindo menor tarifa e maior outorga.

— Foram mudanças aprendidas nas últimas rodadas. Houve a simplificação de entrega de atestados técnicos para atrair mais empresas. Outro ponto que destacaria é a diferença de tarifa para pista simples e duplicada. Isso traz um incentivo para que as empresas façam as obras previstas em contrato.