BNP Paribas passa a ver inflação de 10% no Brasil em 2022; conta para 2023 sobe a 5%

Cartazes com preços de mercadorias exibidos do lado de fora de supermercado no Rio de Janeiro

SÃO PAULO (Reuters) - O BNP Paribas elevou sua projeção para a alta do IPCA neste ano em 1,5 ponto percentual, a 10,0%, prevendo impacto mais forte e duradouro de pressões inflacionárias já contempladas em cenário anterior.

A estimativa de inflação de dois dígitos neste ano veio acompanhada de alta de 0,5 ponto em seu prognóstico para o avanço do IPCA em 2023, a 5,0%. Dessa forma, o banco francês vê as taxas de inflação bem acima do centro das metas oficiais, que são de 3,5% para 2022 e 3,25% para o ano seguinte, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

"Esperamos pressão dos mesmos setores (apontados na última revisão de cenário), mas com impacto mais forte e duradouro", afirmou o BNP em relatório assinado por Gustavo Arruda, chefe de pesquisa para América Latina, e Laiz Carvalho, economista para Brasil.

Entre os fatores de pressão, o credor privado citou a disparada dos custos de combustíveis e alimentos, interrupções contínuas na cadeia global de abastecimento e a previsão de que o setor de serviços doméstico repassará a desancoragem das expectativas de inflação para os preços.

O BNP ainda espera que a taxa Selic chegará a 14,25% até o fim deste ano e encerrará 2023 em 10,50%, mas disse que vai esperar o próximo comunicado de política monetária do Banco Central para determinar novas previsões.

A autarquia começa nesta terça-feira seu encontro de dois dias, com ampla expectativa de que os juros básicos subam em 1 ponto percentual, para 12,75%.

(Por Luana Maria Benedito)

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