Boatos sobre COVID-19 provocam violência em povoado indígena do México

Trabalhadores da saúde limpam carros e táxis como medida preventiva para conter a disseminação de COVID-19 em Escobedo, estado de Nuevo León, México, 25 de maio de 2020

Uma prefeitura e vários imóveis foram atacados nesta quinta-feira (28) durante um protesto tumultuado em um povoado indígena do México, supostamente incentivada por uma mensagem no Facebook que nega a existência do novo coronavírus e acusa as autoridades de realizarem um "ataque químico".

"Foram aproximadamente 30 pessoas, 30 delinquentes comuns que tentaram enganar as pessoas de Venustiano Carranza, confundindo-os com o problema da COVID-19, dizendo que não existe", explicou o governador do estado de Chiapas (sul), Rutilio Escandón, em um vídeo publicado em suas redes sociais.

Segundo o Ministério Público, os criminosos agiram na madrugada de quinta-feira e causaram destruição na sede da prefeitura, bem como em um comércio local e três casas.

Os desmandos teriam sido incentivados por uma postagem no Facebook - difundida por veículos de imprensa locais -, que assegura que "o coronavírus não existe" e que um drone foi derrubado no domingo passado, espalhando um pó branco, que "seca os pulmões".

Com alusões políticas, o texto acrescenta que se tratou de um "ataque químico" dos governantes regionais contra a etnia tzotzil, mas na verdade faria referência ao trabalho de sanitização realizado pelo governo local.

O governo e o MP de Chiapas condenaram a violência e advertiram que "não haverá impunidade".

O procurador Jorge Llaven disse em um vídeo que "se ativaram os protocolos de segurança" e pediu a colaboração dos moradores para localizar os responsáveis.

Durante a emergência sanitária provocada pela pandemia de COVID-19, no México foram registrados outros distúrbios em localidades de estados como Michoacán (oeste) e Oaxaca (sul), durante sessões de desinfecção.

Com 120 milhões de habitantes, o México é o segundo país da América Latina depois do Brasil com o maior número de mortos na pandemia com 9.044 óbitos.

O país registra, ainda, 81.400 contágios do novo coronavírus, segundo cifras oficiais.