Bob Dylan diz não estar sendo saudosista em novo álbum com grandes clássicos do passado

Bob Dylan durante apresentação no The Hop Festival em Paddock Wood 30/06/ 2012. REUTERS/Ki Price

NOVA YORK (Reuters) - O novo álbum de Bob Dylan, “Triplicate”, explora grandes canções norte-americanas das décadas de 1930, 40 e 50, mas o cantor e compositor veterano diz que isto não significa que está com saudades do passado.

Dylan também não está preocupado se seus fãs irão gostar do álbum, o terceiro em muitos anos que apresenta versões para canções clássicas como “Stormy Weather”, “As Time Goes By” e “Stardust”.

“Estas canções são algumas das coisas mais dolorosas já colocadas em um disco e quis fazer justiça a elas. Agora que as vivi e vivi através delas, entendo-as melhor”, disse Dylan, de 75 anos, ao escritor musical Bill Flanagan em rara entrevista.

“Não é uma viagem às memórias ou anseio ou saudades dos bons velhos dias ou das boas memórias do que já não existe mais”, acrescentou na longa entrevista de perguntas e respostas publicada na quarta-feira no site bobdylan.com.

O álbum “Triplicate”, de três discos, será lançado em 31 de março. Ele segue o álbum de covers de Frank Sinatra “Shadows in the Night”, de 2015, e “Fallen Angels”, de 2016, fazendo um forte contraste com as composições socialmente engajadas de folk e rock pelas quais Dylan continua conhecido.

Perguntado sobre o que os fãs pensam de álbuns de covers, Dylan disse: “Estas canções são para o homem na rua, o homem comum, a pessoa cotidiana. Talvez seja um fã de Bob Dylan, talvez não, eu não sei”.

Na entrevista que abrangeu vários temas, Dylan também falou sobre sua admiração pela falecida Amy Winehouse, chamando-a de “a última individualista real”; sua tentativa fracassada com George Harrison anos atrás de tentar gravar com Elvis Presley, (“Ele (Elvis) apareceu; nós que não aparecemos”); e o poder do início da música rock and roll, (“Rock and roll era uma arma perigosa, cromada, explodiu como a velocidade da luz, isto refletiu os tempos, e especialmente a presença da bomba atômica, que precedeu isto em diversos anos”).

Dylan também falou sobre a perda de colegas músicos como Leonard Cohen, Leon Russell e Merle Haggard, que morreram no ano passado.

“Éramos como irmãos, vivíamos na mesma rua e todos deixaram espaços vazios onde costumavam ficar. É solitário sem eles”, disse.

Não foi feita menção ao prêmio Nobel de literatura de Dylan e à sua não participação na cerimônia anual de premiação na Suécia. Dylan deve se apresentar na Suécia na próxima semana como parte de uma turnê européia.