Boeing vai repetir voo não tripulado com a nave Starliner, que falhou em 2019

Daniele Cavalcante

A NASA aceitou a proposta da Boeing de fazer um segundo teste de voo não tripulado com a espaçonave Starliner CST-100, que foi desenvolvida para levar astronautas norte-americanos à Estação Espacial Internacional (ISS). Embora a data do novo lançamento não tenha sido definida, a agência espacial dos EUA anunciou que trabalhará lado a lado com a empresa privada para garantir que a nave esteja segura o suficiente antes de realizar missões com tripulação a bordo.

Essa espaçonave foi desenvolvida como parte do Programa de Tripulação Comercial da NASA, assim como é o caso da Crew Dragon, da SpaceX. Além do contrato de financiamento, a agência forneceu às duas empresas um conjunto de requisitos de segurança que devem ser seguidos à risca. Por sua vez, as empresas propõem suas próprias estratégias exclusivas para provar que seus sistemas atendem às necessidades do setor.

Assim, a Boeing tinha a responsabilidade de apresentar à NASA sua proposta sobre como prosseguir com os voos após a falha do voo realizado com a Starliner em dezembro de 2019. Naquela ocasião, embora muitos dos requisitos de segurança tenham sido atingidos, a nave não conseguiu chegar à ISS como havia sido planejado, por causa de uma falha com seu sistema de temporização. Como resultado, a nave ficou presa na órbita errada e voltou após circular a Terra por dois dias.

(Foto: Boeing)

O objetivo era realizar uma demonstração chamada Teste de Voo Orbital (OFT, na sigla em inglês), para mostrar que a nave poderia transportar com segurança os astronautas da NASA. Em boa parte, esse objetivo foi cumprido - não houve nenhuma falha crítica que pudesse colocar a vida de uma tripulação em risco. Assim, ainda não estava claro se a Boeing realizaria um novo teste não tripulado antes de partir para a próxima etapa.

Mas a empresa decidiu que a melhor abordagem para atender todos os requisitos da NASA seria realizar novamente um OFT, incluindo a atracagem na estação espacial. Se a Boeing tivesse proposto uma missão tripulada como o próximo voo, a NASA concluiria uma revisão e análise detalhadas da proposta para determinar a viabilidade do plano. Como essa não foi a proposta feita pela Boeing, a NASA declarou que não especulará sobre o que a agência exigiria.

Ainda assim, a NASA pretende “realizar a supervisão necessária para garantir que essas ações corretivas sejam tomadas”, conforme declarou a agência em uma publicação em seu blog. A Boeing já havia planejado o orçamento para isso - a empresa anunciou no final de janeiro que reservaria US$ 410 milhões para o caso de bater o martelo na decisão de realizar o teste OFT novamente


Fonte: Canaltech

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