Luis Arce é proclamado presidente eleito da Bolívia

·3 minuto de leitura
Luis Arce (C), candidato do partido Movimento ao Socalismo (MAS), comemora sua vitória nas eleições presidenciais com seu companheiro de chapa, David Choquehuanca (D), em 19 de outubro de 2020 em La Paz, Bolívia

Luis Arce é proclamado presidente eleito da Bolívia

Luis Arce (C), candidato do partido Movimento ao Socalismo (MAS), comemora sua vitória nas eleições presidenciais com seu companheiro de chapa, David Choquehuanca (D), em 19 de outubro de 2020 em La Paz, Bolívia

O economista de esquerda Luis Arce, apoiado pelo ex-presidente Evo Morales, foi proclamado nesta sexta-feira presidente eleito da Bolívia pelo órgão eleitoral, cinco dias depois de sua vitória surpreendente no primeiro turno.

"O Tribunal Supremo Eleitoral declara presidente eleito Luis Arce Catacora, e como vice-presidente eleito David Choquehuanca Céspedes", anunciou o chefe do ente, Salvador Romero, após a apuração oficial dos votos das eleições do último domingo.

Romero expressou que a proclamação de Arce "constitui o último ato de um processo transparente seguro e verificável", o que foi reconhecido pelos adversários do vencedor e respaldado por observadores internacionais.

"Recebemos este mandato democrático com muita humildade. Nosso grande desafio agora é reconstruir a pátria, recuperar a estabilidade e a esperança", tuitou Arce, que venceu as eleições com 55% dos votos no primeiro turno, superando amplamente seu principal rival, o centrista Carlos Mesa, e os demais candidatos.

O resultado final coincide, com pequenas variações, com as projeções feitas na noite de domingo pelo canal de televisão Unitel e pela fundação católica Jubileo, sete horas após o fechamento da votação, que permitiram acabar com a incerteza pela falta de resultados preliminares oficiais.

Mesa, que governou a Bolívia de 2003 a 2005, declarou hoje que irá liderar uma "oposição responsável, vigilante, fiscalizadora, com um acompanhamento detalhado do que farão as novas autoridades".

A vitória de Arce marca o retorno ao poder do Movimento ao Socialismo (MAS), 11 meses após a queda de Morales em meio a protestos e denúncias de fraude eleitoral.

- Relatório final -

O presidente do TSE adiantou que Arce e o novo Congresso - renovado na íntegra no domingo -, assumirão suas funções "no decorrer da primeira quinzena de novembro", mas não forneceu uma data exata.

Arce, 57 anos, foi o arquiteto do "milagre econômico" do governo de Morales (2006-2019) como ministro das Finanças. Ele conquistou o apoio em massa dos bolivianos graças ao capital político de Morales e às esperanças de um retorno à prosperidade perdida, em meio a um país em colapso pelo coronavírus e pela crise econômica.

"A esquerda venceu porque Arce esteve perto das pessoas, comeu com elas nos mercados, compartilhou com o povo", declarou o analista político Carlos Cordero. "Além disso, Arce entende que o Estado tem uma função social, que nem tudo é eficiência econômica, como acontece na direita, entende que também deve haver solidariedade econômica."

Abalados com a surpreendente decisão das urnas, não antecipada por nenhuma pesquisa, setores da direita saíram às ruas para protestar, denunciando uma suposta "fraude". Missões de observação eleitoral internacionais afirmaram, porém, que o processo foi limpo.

- Elogio europeu -

A União Europeia, que também enviou observadores eleitorais à Bolívia, parabenizou hoje Arce e expressou seu desejo de começar a trabalhar em breve com as novas autoridades eleitas.

Uma nota assinada pelo alto comissário da UE para as Relações Exteriores, o espanhol Joseph Borrell, também elogiou a participação eleitoral em massa, apesar das restrições pela pandemia de coronavírus. De acordo com Borrell, a UE "continua ao lado da Bolívia e espera poder trabalhar com as novas autoridades".

O MAS conquistou a maioria nas duas câmaras, mas não obteve os dois terços que lhe permitiriam aprovar leis sem a necessidade de negociar com outras bancadas, como ocorria na época de Morales.

Um total de 6.483.893 pessoas votaram, numa participação recorde de 88,42% dos cidadãos habilitados, segundo os dados finais do TSE.

O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, afirmou ontem em Washington que não há "paralelismo" entre as eleições de 2019 e as do último domingo. Ele recebeu duras críticas do México pelo papel da organização na votação precedente.

"Luis Almagro deve renunciar, se tiver ética e moral", disse ontem Morales, cujo retorno à Bolívia do exílio na Argentina foi pavimentado pela vitória de Arce.

msa/fj/lda/aa/tt/lb/am/lb