Bolívia convoca cônsul chileno por detenção de militares e funcionários

La Paz, 20 mar (EFE).- O governo da Bolívia convocou nesta segunda-feira o cônsul do Chile, Manuel Hinojosa, para entregar-lhe uma carta onde apresenta "sua mais enérgica reivindicação" pela detenção de sete funcionários alfandegários e dois militares bolivianos na fronteira entre ambos os países.

Na carta, a Bolívia alega que trata-se de uma "detenção arbitrária com agravantes físicos" ocorrida em território boliviano e exige "a libertação imediata dos nove cidadãos bolivianos que foram sequestrados e se encontram em território chileno".

De acordo com os dados proporcionados pelo governo da Bolívia, a operação boliviana detectou três caminhões com mercadoria ilegal e conseguiu reter um deles, com placa chilena, enquanto os outros dois escaparam e retornaram a território chileno.

De acordo com esta versão, os funcionários alfandegários e os militares bolivianos jamais estiveram fora do território nacional e tentaram realizar a operação cerca de 350 ou 400 metros da fronteira, próximo de um posto militar boliviano avançado, antes de serem detidos pelas forças do país vizinho.

Em entrevista coletiva posterior à reunião com Hinojosa, o ministro da Presidência da Bolívia, René Martínez, disse que "este fato não pode ser esquecido" e alegou que existe uma "agressão permanente" do Chile rumo à Bolívia.

Martínez também negou as acusações do governo de Michelle Bachelet de que os militares e funcionários detidos estariam "roubando um caminhão" em território chileno.

"O que chama a atenção é este tipo de encobrimento, de proteção, por não dizer cumplicidade com contrabandistas", acusou a autoridade boliviana.

O cônsul chileno se retirou da Chancelaria sem fazer declarações aos veículos de imprensa.

Este incidente aconteceu em dias anteriores à apresentação por parte do país andino de uma réplica para defender seus argumentos em um julgamento contra o Chile na Corte Internacional de Justiça (CIJ) em Haia, na Holanda.

Desde 2013, a Bolívia pede à CIJ uma decisão que obrigue o Chile a negociar definitivamente sua histórica reivindicação de uma restituição da saída para o Oceano Pacífico, perdida em uma guerra em 1879. EFE