Bolívia prevê relações 'difíceis' com governo argentino de esquerda

A chanceler boliviana, Karen Longaric, durante entrevista à AFP em La Paz no dia 29 de novembro de 2019.

A chanceler do governo interino da Bolívia, Karen Longarin, previu nesta sexta-feira relações "muito difíceis" com o próximo governo de esquerda na Argentina, que assumirá no dia 10 de dezembro, porque os futuros líderes argentinos mantiveram uma relação muito estreita com o ex-presidente Evo Morales.

"Pensamos que vai ser muito difícil a relação" com o governo de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, declarou a chanceler à AFP.

Eles "historicamente têm sido muito amigos de Evo Morales", que governou seu país por quase 14 anos, antes de se demitir, no dia 10 de novembro, e buscar asilo no México, em meio a uma onda de protestos contra sua reeleição suspeita.

Fernández, eleito em outubro passado, escreveu no Twitter que "na Bolívia tiveram que dar um golpe de Estado para tirar Evo", e que "o governo de fato (...) usurpou o poder na Bolívia".

Longarin, que afirmou que a Bolívia quer "fortalecer as relações com os países vizinhos", destacou que a presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, ainda não foi convidada para a posse de Fernández.

"Não chegou qualquer convite, nem na Chancelaria e nem no Palácio" para a posse, destacou a chanceler.

A Argentina é o segundo principal mercado para o gás natural boliviano, com um fornecimento diário de entre 19 e 20 milhões de metros cúbicos. O Brasil é o maior comprador do gás boliviano.