Bolívia registra quinto dia de greve contra o governo

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Trabalhadores da saúde protestam contra o presidente boliviano Luis Arce e uma nova lei em debate no parlamento que alegam permitir ao governo investigar bens de qualquer cidadão sem ordem judicial, em La Paz, em 12 de novembro de 2021 (AFP/AIZAR RALDES)

Setores de oposição e sindicatos mantiveram uma greve pelo quinto dia consecutivo na Bolívia nesta sexta-feira (12), para exigir a anulação de uma lei polêmica de lavagem de dinheiro, e o governo alertou para uma possível "escassez de combustível" se o protesto persistir.

Os protestos, caracterizados por passeatas e bloqueios de ruas, levaram a confrontos entre manifestantes, a polícia e grupos ligados ao Movimento pelo Socialismo (MAS), que deixaram mais de uma centena de detidos e vários feridos.

O opositor Comitê Nacional de Defesa da Democracia (Conade) afirmou que a lei polêmica visa a “controlar as atividades econômicas do povo, perseguição e intimidação, isentando a principal atividade ilegal que gera lucro ilícito em todo esse processo: o tráfico de drogas”.

Os principais confrontos ocorreram nos departamentos de Potosí, a sudoeste, e em Santa Cruz, reduto da oposição, a leste, mas ocorreram manifestações em todo o país.

A lei, aprovada em agosto, estabelece que a estratégia do governo contra a legitimação de lucros ilícitos e financiamento do terrorismo “poderá ser ajustada pelo Executivo mediante decreto”, o que preocupa várias organizações, que temem que a mesma seja usada como instrumento de perseguição.

O presidente Luis Arce minimizou as manifestações e acusou a oposição de querer "derrubar o governo". "Devemos defender o voto do povo boliviano, que disse nas urnas que temos que governar", disse o presidente ontem, durante cerimônia na região central de cultivo de coca do Chapare, reduto sindical de seu mentor, o ex-presidente Evo Morales (2006-2019).

Diante dessas declarações, o governador de Santa Cruz, o direitista Luis Fernando Camacho, disse que "há um povo mobilizado", e que "ninguém pediu a renúncia do presidente".

O ministro de Hidrocarbonetos e Energia, Franklin Molina, alertou nesta sexta-feira que, "se a greve e os bloqueios continuarem, existe a possibilidade de em dois dias haver escassez" de combustíveis (gasolina e diesel) em Santa Cruz" e outras áreas do leste" da Bolívia.

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