Bolas de lama surgem em praia de Peruíbe e intrigam moradores e turistas

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 20.12.2010 - Vista da praia da Peruíbe, no litoral paulista. (Foto: Almeida Rocha/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 20.12.2010 - Vista da praia da Peruíbe, no litoral paulista. (Foto: Almeida Rocha/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Moradores e turistas ficaram intrigados com milhares de pequenas bolas que apareceram na faixa de areia da praia do centro de Peruíbe na terça-feira (2).

Os presentes no local registraram as imagens e compartilharam em redes sociais.

Essa não é a primeira vez que o fenômeno surpreende os banhistas de Peruíbe. Em fevereiro, por exemplo, imagens parecidas foram registradas e divulgadas.

Ana Paula Pereira, de 42 anos, é moradora de Peruíbe há 15 anos e conta que já presenciou o fenômeno neste ano. "Faço caminhada na praia todos os dias. Uma vez fui fazer minha caminhada logo pela manhã e me deparei com aquelas bolinhas escuras. Na hora me assustei, mas depois me disseram que era só lama", afirma Ana.

Segundo secretário de Meio Ambiente e da Agricultura da cidade, Eduardo Ribas, o fenômeno é natural e acontece nas praias da região há mais de 50 anos.

Ele afirma que as bolas são feitas da lama que é levada ao mar pelo rio que corta a cidade.

"Há um rio que atravessa a cidade, o rio Preto. Ele passa por manguezais e é muito rico em lama. O que acontece é que esse material é jogado no mar e, perto dessa área de desemboque, formam-se bolsões de lama. Periodicamente, principalmente em momentos em que o mar está agitado, a correnteza joga essa lama na praia", afirma Ribas.

Segundo ele, esse ressurgimento da lama que está no fundo do mar pode acontecer de duas formas. "Às vezes elas aparecem na faixa de areia como poças de lamas, em outras, como essas bolinhas, que são a lama empelotada."

Eduardo Ribas ainda afirma que a lama do Rio Preto é objeto é famoso objeto de estudo no estado. "Essa lama é objeto de estudo até na USP. Já se sabe que ela tem propriedades terapêuticas e estéticas", diz o secretário.

Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico da USP, confirma que o fenômeno é de fato natural, mas alerta que ele pode ser intensificado e passar a gerar problemas.

"O aumento das chuvas, causado pelas mudanças climáticas, podem fazer com que fenômenos como esse aconteçam com mais frequência", afirma Turra.

Segundo ele, o ressurgimento da lama é comum em vários locais do país. "Na praia do Cassino, no Rio Grande do Sul, tem um fenômeno parecido, só que não forma grumos, forma um coloide de lama, como se fosse uma borra de café mais fluida, e isso, de tempos em tempos, chega à praia. As pessoas não conseguem andar por lá porque a lama vai até a cintura".

O professor explica ainda que o fenômeno visto por moradores e turistas em Peruíbe pode provocar consequências negativas em dois diferentes campos. "Ele tem a capacidade de influenciar na biodiversidade porque pode provocar uma alteração na composição do cedimento que influencia os organismos que vivem na praia. E também pode afetar as atividades socioeconômicas e de lazer amparadas pelo turismo."

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