Bolsa abre em alta após alívio com precatórios e Evergrande

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***ARQUIVO***SÃO PAULO: Painéis de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Painéis de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira abriu em alta nesta quarta-feira (22) com o mercado dando sinais de alívio com a retomada do diálogo entre Executivo e Legislativo para o pagamento dos precatórios em 2022. No exterior, os principais índices também sobem com a redução do temor de calote da incorporadora Evergrande.

Às 10h55, o Ibovespa subia 1,78%, a 112.218 pontos, e o dólar caía 0,07%, a R$ 2,2800.

Na véspera, o dólar caiu 0,81%, a R$ 5,2854 na venda, depois que os presidentes do senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), indicaram compromisso com a busca por solução para a conta bilionária de precatórios para 2022.

Pacheco disse que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para resolver o problema dos precatórios no Orçamento do ano que vem limitará o crescimento dessas despesas pela mesma dinâmica da regra do teto de gastos, enquanto Lira ressaltou intenção de respeitar o teto e criou a comissão especial que analisará o mérito da PEC dos precatórios.

"A solução para pagamento de precatórios parece estar chegando a um desfecho", escreveram analistas da XP em nota. "Consiste em uma mistura de várias propostas, mas tem como base a resolução que vinha sendo costurada via Conselho Nacional de Justiça."

Enquanto isso, no exterior, os operadores repercutiam a notícia de que a chinesa Evergrande concordou nesta quarta-feira em acertar o pagamento de juros de um título doméstico, afastando temores de calote iminente.

A incorporadora assustou os mercados no início da semana, desencadeando fuga para ativos considerados seguros em meio a temores de contaminação da economia mais ampla.

Nesta quarta-feira, também concentram a atenção dos mercados a reunião do Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano). A expectativa é de que o Fed abra caminho para reduções em suas compras mensais de títulos.

No Brasil, o Copom (Comitê de Política Monetária) deverá elevar a taxa Selic em um ponto percentual, a 6,25% ao ano.

"Dado o diferencial de juros cada vez mais significativo [entre Brasil e economias avançadas], o real deveria ter maior apreciação, mas ruídos políticos domésticos não têm permitido essa valorização", diz Mauro Morelli, estrategista da Davos Investimentos.

Ainda assim, ele ressaltou que o BC pode sinalizar nesta quarta-feira uma Selic mais alta do que o esperado anteriormente ao fim de seu ciclo de aperto de juros. Isso, somado às garantias frequentes do Fed de que redução em suas compras de títulos não significa, necessariamente, elevação iminente de juros, pode beneficiar a divisa brasileira adiante, segundo Morelli. Mas, para isso, é preciso "acertar o ruído político em Brasília e contornar a volatilidade antes das eleições de 2022", diz.

Em Wall Street, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq avançavam 0,87% 0,33% e 0,43%.

O petróleo Brent subia 1,91%, cotado a US$ 75,77 (R$ 400,28).

O contexto de alívio do exterior e alta do petróleo está colaborando para altas das ações do setor de commodities no Brasil. Entre os papéis mais negociados, operavam em alta Vale (5,05%), Petrobras (2,70%), Usiminas (8,99%) e Gerdau (7,33%).

O BofA (Bank of America) Global Research cortou preço-alvo da ADR da mineradora Vale de 27 dólares para 20 dólares, ao mesmo tempo em que reduziu a recomendação de "comprar" para "neutra", conforme relatório que também diminuiu as projeções de preços de minério de ferro citando um crescimento mais fraco da China.

Segundo a instituição, a política de cortes na produção de aço da China enfraquece a demanda por minério de ferro no maior importador global da matéria-prima.

Dessa forma, o BofA reduziu a projeção de preço de minério de ferro em 45% para 2022, a 91 dólares por tonelada.

"As políticas de aço da China são baixistas para o minério de ferro. Processamos nossa revisão trimestral global de commodities hoje. Nossa maior mudança de visão está no minério de ferro", disse.

O BofA ponderou, contudo, que não vê as ações da Vale como "caras".

Os preços do minério de ferro também estão sendo pressionados pelos riscos apresentados no mercado imobiliário na China, maior produtora de aço do mundo, com a crise da dívida do Grupo Evergrande.

Mas, nesta quarta-feira, os contratos futuros do minério de ferro na Ásia se recuperaram, com o contrato de referência de Dalian saltando de uma mínima de 10 meses, embora ainda existam dúvidas se os ganhos podem ser sustentados devido ao colapso na demanda da China e à melhoria das perspectivas de oferta.

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