Bolsa abre em queda com aumento da tensão entre Estados Unidos e Irã

O Globo, com agências internacionais
Painel de ações na sede da Bovespa no centro de São Paulo

RIO — O otimismo do primeiro pregão de 2020 não deve prosseguir entre os investidores da Bolsa de Valores de São Paulo nesta sexta-feira. Em meio a tensão entre Estados Unidos e Irã, o Ibovespa, principal índice que compõe a B3, iniciou o dia em queda. Por volta das 10h30, atingia 117.354 pontos, queda de 1,03%.

Os investidores estão incertos com os desdobramentos do ataque aéreo dos Estados Unidos em Bagdá. que matou o chefe da força de elite Quds, do Irã, na noite de quinta-feira. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que uma dura vingança aguarda os "criminosos" que mataram Soleimani. Em Londres, os contratos futuros do petróleo subiam cerca de US$ 3 depois do ataque.

O dólar abriu o dia em alta, voltando a superar o patamar de R$ 4,05, também influenciado pela incerteza externa. Por volta das 10h30, a moeda americana avançava 0,97%, sendo cotada a R$ 4,062.

— Esse evento gerou uma mudança do clima, que estava positivo nos últimos dias. Agora, os possíveis desdobramentos são pouco claros, o que, no curto prazo, gera uma aversão a risco — explica Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria.

Cálculos já feitos por algumas consultorias estimam que o conflito no Oriente Médio poderia retirar 0,3% do PIB global em 2020. China, Rússia e França alertam para o nível de tensão ampliada.

Em relatório enviado nesta manhã, analistas da XP Investimentos ressaltaram que"o sentimento positivo que deu início ao novo ano foi revertido nesta sexta-feira, à medida que a tensão entre os EUA e o Irã aumentou, levando à queda das bolsas internacionais".

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que tentou falar com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, sobre uma possível alta de combustíveis no país devido ao ataque dos EUA, mas não conseguiu.

Para analistas da Guide, o movimento deverá ser acompanhado por maior volatilidade dos ativos nos próximos dias.

"Ainda é cedo para tirar conclusões definitivas, mas dado o nível elevado em que grande parte dos ativos se encontra no momento é provável que o ataque promova um movimento de correção acompanhado de uma maior volatilidade nos próximos dias".