Bolsa cai 0,69%, mas encerra semana no azul, mesmo com caso Evergrande

·3 minuto de leitura
***ARQUIVO*** São Paulo-SP -  Pregão da Bolsa de Valores (Foto: Paulo Giandalia/Folhapress)
***ARQUIVO*** São Paulo-SP - Pregão da Bolsa de Valores (Foto: Paulo Giandalia/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira encerrou a semana com uma alta acumulada de 1,65%, mesmo depois de ter recuado 0,69% nesta sexta-feira (24), a 113.282 pontos. O dólar encerrou o dia em elevação de 0,60%, a R$ 5,3440.

Após três quedas semanais potencializadas por crises domésticas, a recuperação do Ibovespa ocorre justamente em uma semana que começou com a desvalorização de índices acionários em todo o mundo após a Evergrande, uma gigante do ramo imobiliário chinês, comunicar que estava sem liquidez para quitar parte de suas dívidas, cujo total é estimado em mais de US$ 300 bilhões (R$ 1,6 trilhão).

Sem que o governo da China comunicasse claramente sobre uma eventual intervenção para evitar a contaminação da economia local, o mercado passou a avaliar na última terça-feira (21) que Pequim tinha controle sobre a crise, o que proporcionou três dias consecutivos de altas nas Bolsas.

Nesta sexta, porém, a incorporadora chinesa Evergrande não entrou em contato com investidores estrangeiros para discutir o pagamento de US$ 83,5 milhões (R$ 445 milhões) em juros de títulos que venceram nesta quinta-feira (23).

A falta de comunicação elevou a percepção de risco dos investidores, afetando os mercados globais.

Em outro episódio preocupante sobre a crise na China, o mundo financeiro passou a observar com preocupação nesta sexta a situação de um banco regional do qual a Evergrande é a principal acionista.

O Shengjing Bank, um banco comercial da província de Liaoning, detém um valor substancial em títulos de dívida da Evergrande.

Com o avanço da crise da dívida na gigante dos imóveis, o governo de Liaoning está tentando recomprar algumas das ações do banco regional que estão nas mãos da Evergrand. Com isso, o governo local tenta reduzir os riscos econômicos e sociais que a quebra do banco poderia causar na economia local.

A situação do Shengjing Bank tem sido analisada como um exemplo de como um calote da Evergrande poderia resultar em uma quebradeira na economia chinesa e mundial.

No pregão desta sexta na Bolsa brasileira, as ações da Vale (VALE3) caíram 1,55%, na esteira das incertezas sobre a China, principal comprador da produção de minério de ferro da empresa brasileira.

Em sentido oposto, Petrobras (PETR4) e PetroRio (PRIO3) subiram 0,22% e 3,87%, respectivamente. As petroleiras foram beneficiadas pela valorização da commodity. O barril do Brent, referência para o mercado, avançou 1,02%, cotado a US$ 78,04 (R$ 417,00).

O noticiário econômico doméstico, apesar de ofuscado pelos apuros trazidos pela quebra da Evergrande, teve destaques relevantes, como a elevação da taxa Selic para 6,25% ao ano, o que o mercado entendeu como um acerto da autoridade monetária na contenção da inflação.

Também houve a divulgação do IPCA-15 (a prévia da inflação oficial) de agosto, que avançou 0,89% e é a maior taxa para o período desde 2002.

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones subiu 0,10%, enquanto o S&P 500 avançou 0,15%. O Nasdaq caiu 0,03%.

Os resultados fracos desta sexta em Wall Street contrastam com o bom humor que predominava desde a quarta-feira (22), quando o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) agradou ao mercado ao informar que manterá a cautela na redução da compra de ativos e na elevação da taxa de juros, medidas de estímulo à economia adotadas para conter os efeitos econômicos da pandemia.

Na Europa, as Bolsas de Londres, Paris e Frankfurt fecharam com quedas de 0,38%, 0,95% e 0,32%.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos