Bolsa cai 1,07% com tensões fiscais e políticas e ambiente internacional

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP: Movimentação de pessoas pela Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP: Movimentação de pessoas pela Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira encerrou em queda de 1,07% nesta quarta-feira (18), aos 116.642 pontos. O movimento veio na esteira dos mercados internacionais que caíram após a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sinalizar que acreditam que o patamar de desemprego para que o suporte à economia seja reduzido pode ser atingido neste ano.

Ainda pesaram no Ibovespa, o principal índice acionário brasileiro, as questões políticas e fiscais do ambiente doméstico. As ações da Vale, que acompanharam o declínio do minério de ferro na China, também contribuíram para a queda do Ibovespa e encerraram a sessão com recuo de 4,66%, a R$ 102,01.

Na semana, a Bolsa acumula perdas de 3,75%.O volume financeiro no pregão somou R$ 67,387 bilhões, turbinado por operações ligadas aos vencimentos de opções sobre Ibovespa e do índice futuro.

"O documento referente à última reunião do Fed revelou que os integrantes do Fomc discutiram o início da redução do ritmo de suas compras mensais de títulos ainda este ano, o que surpreendeu o mercado não pela discussão, mas pela antecipação deste desejo até então esperado para o ano que vem", afirmou o analista da Clear Corretora, Rafael Ribeiro.

"Apesar da sinalização bastante hawkish [intenção de aumentar as taxas de juros], o que acabou azedando o humor do mercado, o documento indicou que a redução não será um gatilho para o aumento dos juros, mas, de qualquer forma, muda bastante o tom do próprio comunicado emitido após a reunião e vai de encontro com o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell", completou.

Por aqui, os investidores seguem preocupados com os problemas fiscais e políticos do Brasil.

A falta de avanço na segunda etapa da reforma tributária, com novo adiamento da votação das mudança pela Câmara dos Deputados, é um dos componentes que têm causado desconforto, por exemplo.

Além de Vale, os papéis do setor siderúrgico também sofreram perdas na sessão desta quarta-feira (18). Usiminas cedeu 4,73%, Gerdau caiu 1,38% e CSN recuou 2,31%. Também acompanhando a piora dos preços do petróleo no exterior, com o Brent em queda de 1,16%, Petrobras caiu 1,62% (ordinárias, com direito a voto) e 1,22% (preferenciais, sem direito a voto).

No câmbio, o dólar registrou alta de 2,05%, a R$ 5,3750, refletindo uma forte aversão a risco fiscal no Brasil. O ambiente causou um terremoto no mercado de juros futuros, em que as taxas chegaram ao fim da tarde em disparada de mais de 40 pontos-base.

O medo relacionado às contas públicas seguiu como a principal dor de cabeça para investidores, entre os quais há crescente sensação de que o governo está mais fraco e cada vez mais enviesado para medidas populistas, o que é lido na comunidade financeira como um sinal forte de pressão mais e mais intensa por aumento de gastos –a pouco mais de um ano da eleição presidencial.

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