Bolsa cai 12,17%, maior baixa diária desde 1998; Dólar fecha em alta a R$ 4,728

O mercado foi impactado pela guerra de preços do petróleo entre Arábia Saudita contra Rússia

A escalada de pânico que o coronavírus causou no mercado financeiro, nos últimos meses, foi amplificada com a guerra de preços do petróleo entre Arábia Saudita contra Rússia no último final de semana. O Ibovespa, principal índice do mercado de ações, fechou com baixa de 12,17% aos 86.067 pontos. É a maior queda diária desde 1998.

Na mínima, o índice bateu em 85.879 pontos e na máxima chegou a 97.982, uma variação de 12.103 pontos em apenas um pregão.

O dólar comercial subiu 2,03% a R$ 4,728. Pela manhã, o Banco Central vendeu US$ 3 bilhões no mercado à vista. À tarde, a autoridade monetária fez mais um leilão no mercado à vista e vendeu US$ 465 milhões. Mesmo assim, a divisa americana fechou com valorização, seguindo a tendência do dólar no exterior.

Pela manhã, a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) acionou o mecanismo de circuit breaker, que é quando o Ibovespa, seu principal índice, cai mais de 10% e as negociações são interrompidas por 30 minutos para acalmar os operadores e evitar perdas adicionais aos investidores.

Meia hora depois da abertura dos negócios no pregão, às10h31min, o Ibovespa  já caía 10,02%, batendo em 88.178 pontos, e o mecanismo do circuit breaker foi acionado.

Foi a primeira vez que a Bolsa brasileira entrou em circuit breaker desde o 'Joesley day', que é como ficou conhecido no mercado financeiro o dia em maio de 2017 em que o colunista Lauro Jardim, do GLOBO, revelou áudios do empresário Joesley Batista que comprometiam o então presidente Michel Temer. O mecanismo é acionado quando o índice cai 10% e já foi utilizado pelo menos 17 vezes na Bolsa.

Nos Estados Unidos, as principais Bolsas também acionaram o circuit breaker após queda de mais de 7%, depois da abertura dos negócios. Os negócios ficam suspensos por quinze minutos. Os índices americanos fecharam em queda superior a 7%, no pior dia desde a crise financeira de 2008.

É a primeira vez que os negócios em Wall Street são interrompidos desde as eleições presidenciais de 2016, quando os mercados também caíram abaixo do limite diário de 5%.

Para Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs, em Nova York, como se não bastasse o coronavírus trazendo incerteza ao mercado financeiro, a guerra de preços do petróleo acrescenta um fator a mais de insegurança aos investidores.

-  Embora os governos se esforcem em conter o avanço do coronavírus, inclusive com o desenvolvimento de uma vacina, haverá um impacto muito grande e caminhamos a passos largos para uma recessão global. E agora, haverá queda da demanda e aumento da oferta do petróleo. Um novo viés negativo para o mercado - disse Ramos.

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