Bolsa cai e dólar sobe, com preocupação com resultados de emprego nos EUA

RIO - Nesta sexta-feira, a Bolsa abriu em queda. Às 11 horas do horário de Brasília, o Ibovespa caía 1,08%, com 104.169 pontos. O dólar subia 1,62%, cotado a R$ 5,0981, no mesmo horário.

Hoje, estão no radar dos investidores os resultados de emprego nos Estados Unidos. Os dados mostraram que o aumento dos salários em abril não ocorreu de acordo com as expectativas, apesar de a criação de vagas ter permanecido sólida.

Rodrigo Pacheco, economista da Guide Investimentos, opina que há receio de que o Federal Reserve estenda o ciclo de alta de juros, fazendo com que muitos investidores estrangeiros que estão alocados na Bolsa de São Paulo, a B3, optem por investir seu capital no Tesouro Direto Americano, que está passando a oferecer uma rentabilidade considerável e é mais seguro.

— O mercado abriu com bastante volatidade, após a publicação nos EUA ter sido interpretada como negativa. Ainda impera a aversão ao risco devido à perspectiva de aperto monetário mais intenso nos Estados Unidos e nas principais economias globais — comenta.

Investidores ainda repercutem a alta de mais de 3.700% no lucro da Petrobras no primeiro trimestre de 2022, que alcançou R$ 44,56 bilhões, além das críticas que o presidente Jair Bolsonaro fez ontem em uma live semanal ao balanço.

Em referência aos custo elevado dos combustíveis que pressiona a inflação, Bolsonaro afirmou que o resultado da estatal é um “crime inadmissível” e um “estupro”. A empresa, que segue política de preços de paridade internacional, paga um montante de bilhões ao governo na sua distribuição de lucros, em forma de dividendos, e com impostos.

Rodrigo Crespi, analista da Guide, afirma que os números reportados foram uma surpresa positiva pelo aumento de receita e controle de despesas:

— O único receio que eu tenho é pelas falas do presidente, que acabaram gerando bastante volatidade nas ações, mesmo tndo anúncio de pagamento forte de dividendos.

Logo após o início da sessão, as ordinárias da Petrobras (PETR3) se valorizavam 2,68%, cotadas a R$ 35,31, enquanto as preferenciais (PETR4) tinham alta de 2,12%, transacionadas por R$32,69.

As ordinárias da Vale (VALE3) caíam 0,62%, negociadas a R$ 79,84, e as da Siderúrgica Nacional (CSNA3), 1,53%, avaliadas em R$ 19,89.

As preferenciais da Usiminas (USIM5) se desvalorizavam 1,53%, vendidas a R$10,92.

No setor financeiro, as preferenciais do Itaú (ITUB4) avançavam 1,80%, cotadas a R$ 23,71, enquanto as do Bradesco (BBDC4) subiam 1,52%, negociadas a R$ 18.

No exterior

Repercutindo os dados de emprego, os mercados americanos abriram em queda. O índice Dow Jones caía 1,22% e o S&P, 1,53%.

Em Nasdaq, onde se concentram papéis de tecnologia, ocorre baixa de 2,27%.

Nesta quinta-feira, pregão seguinte ao anúncio de aumento de juros pelo Federal Reserve, Nasdaq teve o pior desempenho desde junho de 2020 e o nível de fechamento mais baixo desde novembro de 2020, com queda de 4,99%.

"A tendência ainda é de um mercado de trabalho forte e muito apertado, que está alimentando os aumentos salariais e é um problema para a inflação no longo prazo", disse Gergely Majoros, membro do comitê de investimentos da gestora de ativos Carmignac. Para ela, isso tornou difícil para o Fed manter os preços estáveis.

Na Europa, os resultados também são negativos. Por volta de 10h54, a Bolsa de Londres (FTSE 100)caía 1,52% e a da Alemanha (DAX), 1,95%. Em Paris (CAC 40), o mercado apresentava declínio de 2,04%.

O Banco da Inglaterra elevou as taxas em 25 pontos-base na quinta-feira, mas autoridades expressaram cautela sobre se apressar em aumentos futuros das taxas. Os rendimentos dos títulos, por consequência, sobem, fazendo com que haja um fluxo da renda variável para a fixa.

O rendimento dos títulos do governo de 10 anos da Alemanha, por exemplo, subiu para 1,082%, o maior desde 2014.

Na Ásia, as bolsas operaram em movimentos contrários: o principal índice do Japão (NIKKEI 225) fechou em alta de 0,69%, em seu retorno de um feriado de três dias. Já o da China (SSEC) terminou a sessão em queda de 2,16%, com grande preocupação sobre o impacto no crescimento da política de zero covid no país.

Petróleo sobe

Os preços do petróleo subiram pela terceira sessão consecutiva, ignorando as preocupações sobre o crescimento econômico global, já que as sanções iminentes da União Europeia ao petróleo russo aumentaram a perspectiva de oferta mais apertada.

Durante a manhã, o barril tipo Brent apresentava alta de 0,73%, custando US$ 111,63. O petróleo dos EUA (WTI), por sua vez, também tinha alta de 0,73%, a US$108,99 o barril.

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