Bolsa cai mais de 1% nesta sexta, mas acumula desempenho positivo na semana

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***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa, na Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi /Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa, na Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi /Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mesmo em uma semana marcada por temores de investidores em relação à variante delta do coronavírus, à inflação americana e à CPI da Covid, a Bolsa brasileira terminou o período com um saldo positivo de 0,42%.

Nesta sexta-feira (16), porém, o dia foi negativo com a renovação da preocupação em torno da alta dos preços nos Estados Unidos e com o vencimento de opções sobre ações. O Ibovespa cedeu 1,18%, a 125.960 pontos.

Além disso, o Departamento de Comércio dos EUA disse que as vendas no varejo subiram 0,6% em junho, reforçando as expectativas de que o crescimento econômico americano acelerou no segundo trimestre.

Os investidores têm comemorado a recuperação, mas preocupações com a inflação mais elevada prejudicam o sentimento, já que isso pode significar o fim dos estímulos monetários antes do esperado.

Na véspera, a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, disse que esperava mais vários meses de inflação alta, mas que o movimento deve ser transitório.

"Acho que no médio prazo, veremos a inflação cair de volta a um nível normal. Mas é claro que temos que ficar de olho nisso", disse Janet.

Embora o presidente do Fed (banco central americano), Jerome Powell, tenha prometido "apoio poderoso" para ajudar na recuperação econômica dos EUA repetidas vezes, definindo as pressões inflacionárias como transitórias, dados recentes apontam para preços cada vez mais altos na maior economia do mundo.

Caso o Fed decida adotar uma postura mais dura para conter a inflação, reduzindo seu estímulo e elevando os juros mais cedo do que o esperado, os mercados financeiros de países emergentes podem sofrer com o redirecionamento de recursos para os EUA.

"Em circunstâncias normais, indicações das autoridades monetárias e econômicas de que a inflação está alta ou que alguma variável está fora de esquadro deveriam provocar uma retração nos fluxos de dinheiro para os ativos de risco, só que as circunstâncias não estão nem são normais", comentaram os analistas da Levante.

"Há um excesso de dinheiro em circulação na economia global, e nada indica que o fluxo que encheu esse reservatório ao ponto de transbordar vai diminuir", diz a casa de análises.

Em Wall Street, o índice Dow Jones caiu 0,86%, enquanto o S&P 500 perdeu 0,75%. O índice de tecnologia Nasdaq recuou 0,80%.

"Temos muito otimismo sobre os balanços empresariais, mas há o medo da inflação, e isso está nos dando um 'zigue-zague' no mercado", disse Dennis Dick, operador proprietário da Bright Trading.

Com os temores pela inflação, a confiança do consumidor americano caiu de forma abrupta e inesperada ao menor patamar em cinco meses no início de julho, segundo dados da Universidade de Michigan.

"As reclamações dos consumidores sobre o aumento dos preços de casas, veículos e bens domésticos duráveis atingiram um recorde histórico", disse o diretor da pesquisa, Richard Curtin, em comunicado.

Já o dólar encerrou o pregão estável, a R$ 5,1160, segundo dados da CMA, mas com queda de 2,6% frente ao real na semana, com a percepção de um cenário doméstico favorável para a moeda brasileira voltando a compensar temores sobre a possível redução de estímulos nos EUA. O dólar turismo está a R$ 5,2730.

Vários investidores têm apontado para a alta recente nos preços das commodities, bem como sinais de retomada da economia doméstica e a perspectiva de uma taxa Selic mais alta, como fator de impulso para o real frente à divisa americana.

Enquanto isso, o Congresso Nacional dá início a um período de recesso, após a aprovação do projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para 2022, e só retorna no início de agosto, o que deixa investidores à espera de uma certa calmaria em Brasília.

Na Bolsa brasileira, a Embraer foi um dos destaques negativos da sessão, com queda de 4%. Este é o quarto recuo seguido do papel, após valorização de mais de 9% em junho.

Já a B2W teve a maior alta (4,15%). Na segunda (19), o ticker BTOW3 muda para AMER3, em uma das etapas da fusão da varejista com a Lojas Americanas.

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