Bolsa cai mais de 14% após 'circuit breaker'; dólar sobe a R$ 5,14

Gabriel Martins
Ações: Ibovespa registrou queda superior a 10%

A Bolsa de Valores de São Paulo interrompeu as negociações no início desta tarde após o Ibovespa ter registrado queda superior a 10%. Às 13h18, quando a perda era de 10,26%, foi acionado o circuit breaker. As negociações voltaram após meia hora. Às 14,45, o índice caía 14,68%, aos 63.661. Se as perdas chegarem a 15%, uma nuva suspensão é acionada. No exterior, as perdas também são acentuadas

É a sexta vez em oito pregões que o mecanismo é acionado.

O dólar comercial segue pressionado, mesmo após o anúncio de vários pacotes de estímulo no exterior e no Brasil na véspera. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,205. Após duas intervenções do Banco Central (BC), que anunciou também uma nova modalidade de atuação no câmbio, a cotação cedeu um pouco. A moeda sobe 2,87%, valendo R$ 5,149.

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Após a forte disparada do dólar, o BC anunciou que faria leilões de dólar no mercado à vista. Além disso, informou que faria uma atuação via operações compromissadas com títulos da dívida externa brasileira. Nessa modalidade, também conhecida por "repo", o BC compra bônus da dívida brasileira denominados em dólar com o compromisso de revenda em 30 dias. O objetivo é amenizar a instabilidade do mercado.

O Brasil tem um estoque de US$ 31 bilhões em títulos soberanos. O total a ser comprado vai depender da demanda, mas o Banco Central tem a disposição de comprar tudo, se houver as condições.

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Em Wall Street, o circuit breaker também foi acionado. Às 11, quando o S&P caía 7%, as negociações foram interrompidas por 15 minutos. O movimento, entretanto, não freou as perdas em Nova York. O S&P cai 8,44%. Nasdaq e Dow Jones recuam, respectivamente, 8,3% e 10,14%. No caso do Dow, devido às recentes quedas por conta do coronavírus, todos os ganhos durante a gestão Donald Trump foram "apagados".

O Dow Jones perde 8,23%. O S&P e o Nasdaq caem, respectivamente, 7,71% e 6,9%. Na Europa, o cenário é o mesmo.

O FTSE 100 (Londres) e o DAX (Frankfurt) operam com variação negativa de, respectivamente, 3,41% e 4,54%. As Bolsas da Espanha (Ibex 35) e da França (CAC), países que ordenaram quarentenas mais restritivas à população, caem 3,42% e 5,15%, cada.

As tensões relacionadas à pandemia de coronavírus seguem levando muitas distorções aos mercados, impossibilitando que gestores e investidores tenham um cenário mais claro sobre quais decisões devem ser tomadas.

—  O grande problema atualmente é a extrema incerteza. Até agora, ninguém consegue mensurar os impactos na economia de países paralisados por conta da pandemia de coronavírus. Ninguém consegue dimensionar o tamanho do prejuízo, por isso tamanha volatilidade — indica Danilo Cápua, sócio da Guelt Investimentos.

O mercado de ações voltou a cair na Ásia também. A Bolsa de Tóquio recuou 1,68%, seu pior fechamento desde novembro de 2016.

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