Bolsa Família inclui 0,23% de famílias no Nordeste e 9% no Sul

Renata Mariz
O número de famílias no Cadastro Único sem o Bolsa Família chegou a 3,5 milhões em dezembro de 2019, das quais 65% são extremamente pobres e o restante é classificada como pobre

BRASÍLIA - As novas concessões do Bolsa Família, em janeiro deste ano, atenderam a apenas 0,23% de famílias pobres ou extremamente pobres do Nordeste que estavam registradas no Cadastro Único do governo federal, que é a porta de entrada para o programa, mas não tinham sido incluídas.

No Sul, o índice foi bem maior: 9,49% das famílias cadastradas foram incluídas. A média da região é similar à do Rio Grande do Sul, onde uma a cada dez famílias mapeadas como de baixa renda foi contemplada. O estado é base eleitoral do ex-ministro Osmar Terra, que liderava o Ministério da Cidadania, responsável pelo Bolsa Família, até o mês passado, quando foi exonerado.

Além da disparidade regional, o número de famílias no Cadastro Único sem o Bolsa Família chegou a 3,5 milhões em dezembro de 2019, das quais 65% são extremamente pobres (renda por pessoa de até R$ 89 mensais) e o restante é classificada como pobre (renda por pessoa entre R$ 89,01 e R$ 178 mensais, desde que tenham crianças ou adolescentes de até 17 anos).

Questionado sobre os números pelo GLOBO, o Ministério da Cidadania não respondeu até a publicação deste texto.

O governo chegou zerar a fila de espera do programa de transferência de renda em 2017, mas desde o primeiro ano do governo Bolsonaro ela voltou a crescer. O Ministério da Cidadania vem dificultando o acesso aos dados relacionados à demanda reprimida pelo Bolsa Família.

As informações sobre as concessões de janeiro deste ano foram noticiadas pelo jornal O Estado de S. Paulo. O GLOBO obteve os dados, a partir do gabinete do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que teve acesso às informações após prefeitos alagoanos reclamarem de um suposto congelamento do programa no estado.

— É o avesso do Robin Hood, tirando dos mais pobres para mandar para os mais ricos. O único vetor que pode explicar isso é uma razão extremamente política. O Congresso precisar cobrar do governo, do ministro que lá estava, explicações. O Bolsa Família é uma programas mais engenhosos e reconhecidos que temos, não pode ser usado dessa forma — diz Calheiros.