Bolsa Família: Ministro do Desenvolvimento Social vê indicativo de irregularidades em cadastros de 10 milhões de beneficiários

O ministro do Desenvolvimento Social Wellington Dias declarou nesta quarta-feira (dia 11) que o governo vê indícios de irregularidades em cerca de 10 milhões de beneficiários do Bolsa Família. São, ao menos, 6 milhões de famílias formadas por uma única pessoa. Essas inscrições suspeitas estão no Cadastro Único (CadÚnico), porta de entrada para o pagamento do Bolsa Família, que serão submetidas a uma avaliação mais rigorosa para a confirmação das informações.

― O novo Bolsa Família tem o pagamento focado na família. O recadastramento certamente vai encontrar o chamado de família unipessoal. São cerca de dez milhões no meio de quarenta milhões de famílias que estão no Cadastro Único que a gente acredita ter indícios de irregularidades. Destes, cerca de seis milhões são de famílias unipessoais ― disse o ministro ao deixar uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com o ministro, esse trabalho de revisão cadastral, que tanto vai retirar quanto acrescentar novos beneficiários, será feito em fevereiro. A intenção é liberar os pagamentos do adicional de R$ 150 para famílias com crianças até seis anos já em março. O ministro não mencionou se haverá pagamento retroativo desse valor.

Dias disse que grande parte dessas famílias foram incluídas no “último período”, fazendo referência ao segundo semestre de 2022, quando o então Auxílio Brasil passou a pagar o benefício para mais de 20 milhões de famílias. Ele ainda garantiu que a análise será feita de forma cuidadosa para não prejudicar os que mais precisam

A partir desse trabalho de recadastramento, será possível ampliar o pagamento da transferência de renda para cumprir a promessa de campanha de Lula, de um adicional para famílias com crianças pequenas. Com isso, também, o governo terá condições de apresentar uma nova proposta para o Bolsa Família.

― Agora em janeiro faremos o pagamento dos R$ 600. Inicia, em fevereiro, tanto a atualização cadastral como todo este trabalho com a rede da assistência social, com busca ativa para trazer quem está fora. No cartão que a gente libera em fevereiro para pagamento em março já estará atualizado com R$ 150 para aqueles que a gente tem segurança na atualização do cadastro ― explicou.

Questionado se haverá um pagamento retroativo do adicional para crianças, o ministro disse que o pagamento só pode ser feito quando o governo tiver a efetividade do cadastro.