Bolsa fecha semana no azul apostando na PEC dos precatórios

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 05.09.2013 - Painel de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores de SP. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 05.09.2013 - Painel de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores de SP. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira subiu 1,37% nesta sexta-feira (5), a 104.824 pontos, fechando a semana com ganho de 1,28%.O desempenho semanal positivo ocorreu após quatro meses consecutivos no vermelho, em que o Ibovespa, índice de referência da Bolsa, contabilizou declínio de mais de 18%. Em 2021, a queda é de 11,93%.

O dólar recuou 1,53%, a R$ 5,5220, chegando a uma queda semanal de 2,12%.

A melhora nos indicadores no Brasil é atribuída, principalmente, à avaliação do mercado de que a PEC (proposta de emenda à Constituição) dos precatórios será aprovada pelo Congresso, permitindo que o governo acomode no Orçamento de 2022 o Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família, com um benefício de ao menos R$ 400.

Investidores avaliam que, apesar de a PEC dos precatórios criar certa insegurança ao adiar o pagamento de dívidas judiciais do governo e oficializar o drible no teto de gastos, a criação de mais despesas sem contrapartidas aumentaria a incerteza sobre o risco fiscal do país.

A aprovação apertada em primeiro turno na Câmara dos Deputados gerou receio quanto as perspectivas de votação em segundo turno na Casa, antes de seguir ao Senado. Nesta sexta, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), garantiu que a PEC será aprovada em segundo turno na Casa, inclusive com mais votos do que na primeira votação. A previsão é de que a votação ocorra na próxima semana.

Apesar das críticas na ocasião do anúncio da proposta, o mercado se resignou e agora considera que a PEC é opção possível para a adoção do Auxílio Brasil.

A taxa de juros DI para 2023, referência para a maior parte dos contratos de curto prazo, ficou praticamente estável em relação à véspera e fechou a 12,1% ao ano, ficando 0,18 ponto percentual abaixo do fechamento mais alto desta semana, na segunda-feira (1º), quando havia chegado a 12,28%.

O alívio da curva de juros nesta sexta impulsionou as empresas do setor doméstico, o que contribuiu com a alta da Bolsa, segundo Rafael Ribeiro, analista da Clear.

As ações do Magazine Luiza (MGLU3) subiram 12,27% e as da Via (VIIA3), 10,79%. Além do alívio nos juros, expectativas mais otimistas sobre a Black Friday impulsionam o setor, de acordo com Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

A safra de balanços também impactou o mercado nesta semana, com destaque para o Bradesco (BBDC4), que fechou o pregão em alta de 4,93% após a divulgação de resultados.

A PetroRio (PRIO3) subiu 17,87%, maior alta do dia, após os consórcios liderados pela empresa avançarem para uma negociação exclusiva para compra de dois campos de produção da Petrobras na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. Já as ações da Petrobras (PETR4) recuaram 0,58%.

O petróleo brent, referência para o mercado, subiu 2,14%, a US$ 82,26 (R$ 456,12).

Os principais índices do mercado americano renovaram recordes nesta sexta após um forte relatório de empregos nos Estados Unidos. Os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam com altas de 0,56%, 0,37% e 0,20%, respectivamente.

Foram criados 531 mil postos de trabalho urbanos nos EUA no mês passado. Economistas consultados pela Reuters esperavam abertura de 450 mil vagas.

Investidores também comemoraram a divulgação de dados positivos para uma pílula experimental da Pfizer contra Covid-19.

Os ganhos em Wall Street foram potencializados nesta semana após o Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) oficializar que a retirada de estímulos econômicos criados na pandemia será suave, com uma diminuição de US$ 15 bilhões (R$ 83,17 bilhões) nas suas compras mensais de US$ 120 bilhões (R$ 665,38 bilhões) em ativos. O Fed também anunciou que não elevará por enquanto os juros básicos do país.

A combinação de fatores que resultaram nas altas nas Bolsas dos Estados Unidos também favoreceu a recuperação parcial do real frente ao dólar, uma vez que a manutenção em patamares baixos dos juros dos títulos do Tesouro americano estimula investimentos estrangeiros em economias emergentes, que pagam prêmios mais elevados.

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