Bolsa cai quase 2% com atraso na Previdência e julgamento de soltura de Lula

Incerteza sobre Previdência e julgamento de liberdade de Lula afetam Bolsa negativamente (Foto: Cris Faga/NurPhoto via Getty Images)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Indefinições da reforma da Previdência e julgamento de habeas corpus de Lula fizeram o iBovespa recuar quase 2%, pior marca de junho.

  • O dólar também sofreu com as incertezas jurídicas e chegou a R$ R$ 3,853.

Com a perspectiva de atraso na reforma da Previdênciajulgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula, a Bolsa brasileira recuou 1,939% nesta terça-feira (25), maior queda percentual do mês.

Segundo Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), líder da maioria na Câmara, a votação da proposta na comissão especial pode ficar para a próxima semana após reunião com o relator da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP).

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O mercado seguia a expectativa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de aprovar a proposta na comissão especial até quinta-feira (27). Caso fique para a primeira semana de julho, o projeto pode ser votado no plenário apenas no segundo semestre.

Além do contratempo, a segunda turma do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu julgar o pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula, o que ampliou as perdas do Ibovespa. No pior momento do dia, quando decisão se tornou notória, o índice recuou 2,13%, a 99.890 pontos. O resultado final foi um recuou de 1,93%, a 100.092 pontos. O giro financeiro foi de R$ 15,145 bilhões.

"A principal razão desta queda é a frustração com o atraso da reforma da Previdência. Se o projeto não for votado na comissão nesta semana, o cronograma começa a ficar muito atrasado. Com mais tempo de tramitação temos mais discussão e mais atraso", afirma Victor Cândido, economista-chefe da Guide Investimentos. "O julgamento do habeas corpus de Lula assustou o mercado. O Lula solto é um componente de ruído no ambiente político", diz Cândido.

O economista ressalta que uma parte da queda também é de realização de lucros, após fortes desempenhos do índice na última semana, quando bateu a máxima de 102 mil pontos.

Dólar sente os efeitos políticos

O dólar subiu 0,650%, a R$ 3,853. No exterior, o viés também foi negativo com queda de confiança do consumidor americano. Ao contrário da previsão de estabilidade de economistas, o índice recuou cerca de 10 pontos em relação a maio e foi para 121,5 em junho, menor patamar desde setembro de 2017.

Manutenção de juros atrapalhou contratos futuros

Nesta terça, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central divulgou a ata da sua última reunião, quando optou pela manutenção da taxa de juros.

O documento veio sem surpresas e reforçou a perspectiva de que uma queda na Selic depende do andamento da reforma da Previdência. "Apesar dos fatores que interromperam risco de crescimento da economia [citados na ata] terem cessado, como a greve dos caminhoneiros, o principal risco é o fiscal. O Banco Central deve ser mais cauteloso e aguardar a reforma da Previdência", afirma Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento).

Com um possível atraso no corte da Selic, previsto por parte do mercado para acontecer em julho, os contratos futuros de juros tiveram alta nesta terça.

O contrato de setembro deste ano recuou de 6,310% para 6,345%. O contrato de junho de 2020 subiu de 5,790% para 5,885%. O economista também cita a crise na Argentina, que afetou a economia brasileira. "Agora, porém, o mercado se ajustou e adaptou o estoque de exportação", diz Tingas.

Da Folhapress